De grau em grau

Que tipo de vinho funciona bem fresco? E gelado? Com dois termômetros de precisão e um cronômetro, testamos cinco estilos de vinho, todos refrescados até o limite com balde de gelo, depois retirados da água e examinados regularmente, com intervalos de alguns minutos, até chegarem aos 26°C da sala de testes. Se você costuma tomar vinho estalando de frio, cuidado. Se prefere a temperatura ambiente e ponto final, atenção. Verde Moura Basto, 2006 Vinho verde português típico. Acidez notável, agulha (aquelas borubulhinhas que picam na língua) e ligeiro. 10% de álcool. R$28,50. 3º: Perde totalmente os aromas, na boca fica apenas a acidez, o charme da agulha desaparece, amortece a língua e perde a graça. 6º: É sua temperatura ideal, surge um ponto de mineralidade, mata a sede, a acidez aparece equilibrada com a fruta, pede uma comida leve, mas pode ser tomado assim como aperitivo pouco alcoólico. 10º: Aparece um ponto de doçura na boca que é incomodo, mas ainda se mantém refrescante. 16º: Ainda bebível, mas perde muito da qualidade de refrigerante. 22º: Horrível, tem aroma de resto de champanhe esquecido na taça, aquele clima de fim-de-festa. Branco Le Vieux Clos, 2006 Um agradável vinho da sub-região de Cheverny, no Loire, com 85% de Sauvignon Blanc e 15% de Chardonnay e rápida passagem por carvalho. 12,5% de álcool. R$ 55,50. 3º: Mostra-se amargo na boca e, pior ainda, totalmente inexpressivo. 6º: Neste ponto, tende ao desequilíbrio, acentuando a acidez. 10º: Nariz delicioso e típico da Sauvignon, com toque vegetal e de figos frescos, refrescante e com um sedutor pontinho de amargo final. 14º: Algo desequilibrado, um toque de caramelo inesperado no nariz, aparece levemente adocicado na boca, já não está na temperatura ideal. 22º: Álcool volátil domina o nariz, acidez agressiva e amargo, temperatura totalmente inadequada. Branco Anselman Trocken, Pfalz, 2006 Um Riesling simples, com muita fruta, bem feito e gostoso, sem maiores virtudes. Perfeito para consumo imediato. 12,5% de álcool. R$ 40. 3º: Morto, sem expressão, como se fosse uma água gelada e nada mais. 5º: Continua frio em demasia, perde muito dos aromas atraentes e na boca tende à acidez excessiva. 10º: Nariz complexo e atraente, frutas cítricas, maçã verde, favo de mel, uma delícia na boca, ótima acidez, leve toque de pétalas de flores brancas, muito bom nesta temperatura. 14º: Agüenta esta temperatura bem, tem corpo para isso, a acidez se acentua um pouco, apesar de seco mostra um caráter de mel interessante, leve picante de pimenta-do-reino, não desagradável, podia ser servido nesta temperatura, embora mais frio seja melhor. 22º: Como sempre a volatilização do álcool interfere e desagrada. Na boca fica pouco elegante, apesar de continuar com um bom caráter de fruta, um dos mais versáteis quanto à variação de temperatura. Rosado Saint Roch, Les Vignes, 2006 Oriundo do Côtes de Provence, é feito a partir de uvas Cinsault (65 %) e Grenache (35 %). 13% de álcool. R$ 49. 6º: Sem nenhum aroma, amargo, praticamente sem nuances na boca. 8º: Ainda está muito frio nesta temperatura, aparece o amargor em demasia. Perde o encanto. 11º: Fruta no aroma, mas tem uma certa complexidade, na boca tem corpo, não é ligeiro demais, pede acompanhamento de comida, boa acidez, gostoso e guloso. 18º: Nariz vinhoso, toque de madeira ligeiro, não é sua temperatura ideal, mas está agradável e bebível, merece ser servido mais fresco. Tem boa acidez e é medianamente longo no gosto. 22º: Álcool totalmente despregado do todo, pouco atraente. Um tostado muito presente. Na boca é amargo e alcoólico, tende ao enjoativo. Tinto Villard, 2006 Um Pinot Noir potente e com muita furta, um estilo interessante, porém não tão elegante. Muito bem feito e cheio de tipicidade chilena, com toques amadeirados. 14% de álcool. R$55,50. 5º: Insuportável: nesta temperatura, parece um suco de madeira tostada. Taninos agressivos e secantes. 9º: Muito tostado no nariz, totalmente desequilibrado, na boca muito amargo e com taninos secantes e agressivos, como acontece com tintos gelados em demasia. 12º: No nariz mostra a tipicidade da Pinot, aquele caráter carnudo, na boca esta gostoso, quase mastigável, amplo, sedutor. Muito bom. 18º: Bem típico de Pinot do Novo Mundo, toque de lácteo da malolática, elegante na boca, corpo médio e longo, os taninos estão equilibrados, mas a temperatura é um pouco alta para ele. 27º: No nariz agüenta o calor, aparece um toque de doçura, talvez do álcool, e casca de laranja seca, da madeira. Quentinho, não perde as qualidades, mas os taninos amargos empalidecem o equilíbrio.

Luiz Horta e Luiz Henrique Ligabue, O Estado de S.Paulo

07 Fevereiro 2008 | 03h33

Mais conteúdo sobre:
vinhos

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.