De imigrantes irregulares a empresários

Bolivianos abrem negócios em SP

Paula Pacheco, O Estadao de S.Paulo

23 de novembro de 2009 | 00h00

O primeiro integrante da família Mendez a trocar La Paz por São Paulo foi Edwin, em 1995. Depois vieram a mulher Julieta e os filhos Vania e Ivan. Assim como a maioria que chega à cidade com pouca qualificação profissional, Edwin foi trabalhar em uma confecção no Brás, na zona leste. Logo ganhou a confiança do coreano dono do negócio e virou encarregado. E uma de suas várias atribuições era trazer mais compatriotas para trabalhar no local.

Em 1998, com a anistia dada pelo governo, Edwin saiu da clandestinidade. Foi aí que percebeu que poderia deixar de ser empregado para se tornar patrão. Com suas economias e uma conta no banco, alugou uma casa, comprou três máquinas de costura e trouxe tias e primos para trabalhar. Hoje, vários parentes de Edwin são donos de oficinas de costura.

"Os bolivianos perceberam que podem ser donos dos próprios negócios. Há uma geração de empresários que chegaram a São Paulo nos anos 90 e fizeram a vida", diz Vania.

Em 14 anos, Edwin abriu também uma loja de aviamentos, no Brás, e um restaurante boliviano na Casa Verde, na zona norte. Atende principalmente aos conterrâneos. Os dois filhos, a mulher e o genro, nascido no Ceará, além de cinco funcionários, ajudam nos negócios, que prosperam no ritmo em que chegam mais latinos à capital. Em 2001, Alberto D"Avila, de 28 anos, trocou a cidade natal, na região de Potosí (sul da Bolívia), por uma confecção em São Paulo. Arrumou trabalho num salão de beleza e, há quatro anos, montou o Cochabamba, onde o corte custa de R$ 6 a R$ 7. "Todo dia tem uma cara nova no bairro", diz. Na sala ao lado, ele montou uma lan house.

Na mesma rua, há o bar e o restaurante El Solitario, de Orlando Barrios, com fricassé de porco a R$ 5. Um ano atrás, era o único na rua. Hoje, são vários. A poucos metros, na Rua Coimbra, uma fachada exibe duas centenas de anúncios de emprego, em espanhol. Adiante, está a Casa del Pueblo, uma ONG ligada à Assembleia de Deus. "Isto aqui virou um pedaço da Bolívia", diz Barrios.

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