De olho em 2014, PSDB faz seminário para 'salvar' a Petrobras

O PSDB deu início a um ciclo de seminários em que pretende apresentar nos próximos meses suas propostas para voltar ao poder em 2014, e o alvo das críticas tucanas nesta terça-feira foi a Petrobras, que na avaliação do partido é vítima da gestão política do governo e precisa ser "salva" do PT.

Reuters

12 de março de 2013 | 18h58

Esse é mais um dos movimentos do PSDB em resposta à movimentação da presidente Dilma Rousseff, que desde o começo do ano tem costurado politicamente seu projeto de reeleição.

O seminário apontou falhas na gestão da estatal, questionou o regime de partilha para exploração de óleo da camada pré-sal e a política de conteúdo nacional orientada pelo governo.

Segundo o PSDB, a Petrobras perdeu em dois anos 47,7 por cento do seu valor de mercado, e está sendo vista com desconfiança pelo mercado.

"Após registrar aumentos médios de 10 por cento na produção de petróleo entre 1995 e 2002, a Petrobras viu esse índice despencar para 2,4 por cento ao ano, desde que o PT chegou ao poder. Já a dívida líquida da empresa saltou de 26 bilhões de reais para mais de 130 bilhões entre 2007 e 2012", diz um trecho do folheto entregue pelos tucanos no Congresso.

Entre 1995 e 2002 o Brasil era governado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, atual presidente de honra do PSDB.

"Cabe a nós da oposição com a responsabilidade que temos para com o Brasil... estar atentos vigilantes, denunciando, condenando e cobrando os abusos, mas principalmente apresentando propostas e alternativas a isso que está aí", disse o senador Aécio Neves (PSDB-MG), que deve ser o candidato do partido à Presidência em 2014.

Segundo ele, é preciso rever o modelo de partilha adotado pelo governo para a exploração da camada pré-sal, retirando a obrigatoriedade para que a Petrobras seja operadora única dos campos a serem licitados por esse modelo.

"Hoje é irreal e contraproducente manter a obrigatoriedade de 30 por cento da Petrobras em cada um dos campos", criticou Aécio. O tucano disse ainda que é favorável à regra de conteúdo nacional para as compras da estatal, mas que ela deveria ser flexibilizada porque tem metas muito elevadas.

Outro ponto da atual gestão da Petrobras criticado no seminário tucano foi a não equiparação dos preços da gasolina nas refinarias aos patamares praticados pelo mercado internacional. Segundo o engenheiro Wagner Freire, ex-diretor da estatal que foi convidado para o evento do PSDB, a Petrobras continuará amargando prejuízos sem a equiparação.

A Petrobras vende atualmente derivados do petróleo no mercado interno a preços inferiores aos praticados no mercado internacional, por não ter repassado recentemente a totalidade dos maiores custos com petróleo. Com isso, o governo federal, controlador da companhia, evita maiores altas na inflação.

Neste ano, a Petrobras já anunciou duas altas nos preços do diesel e uma para a gasolina, após outros reajustes em 2012, num movimento que busca alinhamento dos valores com a cotação internacional em uma perspectiva de médio e longo prazos.

Segundo Aécio, os próximos seminários dos tucanos vão discutir as concessões anunciadas pelo governo recentemente na área de logística, os problemas de competitividade da economia e as questões federativas.

Procurada, a Petrobras informou que deve se manifestar para responder às críticas dos tucanos ainda nesta terça-feira.

(Reportagem de Jeferson Ribeiro)

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