De repente a terra engoliu tudo, diz bombeiro catarinense

Número de mortos no período de chuvas chega a quase 100; maior número de vítimas fatais é em Morro do Baú

Fabio Murakama, REUTERS

26 Novembro 2008 | 21h16

As chuvas deixaram um cenário desolador em Santa Catarina, com dezenas de casas engolidas pelo lodo e pessoas desesperadas implorando por socorro. O número de mortos no Estado, que já se aproxima de uma centena, deverá ser muito maior ao final dos trabalhos de resgate, disseram à Reuters dois oficiais da Defesa Civil do Estado na quarta-feira, 25.   Veja também: Temporão anuncia R$ 100 milhões para medida de socorro BRs-376 e 101 são parcialmente liberadas População pode consumir água de piscinas Cerca de 80 mil imóveis continuam sem luz Chuva deve continuar até sexta-feira Banco do Brasil anuncia ajuda a clientes de Santa Catarina Força Nacional de Segurança segue nesta tarde para SC Defesa Civil abre conta para doações Tragédia em Santa Catarina  Veja galeria de fotos dos estragos em SC   Número de vítimas deve subir  Para governador, será preciso muito recurso  Morador de Blumenau relata a situação      "O cenário é de guerra. É desesperador", disse à Reuters por telefone o subtenente do Corpo de Bombeiros Edemilson Irineu Correa, chefe de operações da Defesa Civil. "Há muitas casas soterradas no Vale do Itajaí. E muitas pessoas estavam em suas casas quando houve os deslizamentos. Eram casas boas, algumas em morro, mas grande parte coberta com mata virgem. De repente, a terra derreteu e engoliu tudo, com a enxurrada. Uma mistura de água e barro, inacreditável", descreveu. Até o momento, a Defesa Civil registrou 99 mortes em todo o Estado desde o final de semana por causa das chuvas, com 78,6 mil desabrigados ou desalojados. Outras 19 pessoas permaneciam desaparecidas. Sete municípios estão completamente isolados e nove declararam estado de calamidade pública. "Eu não quero fazer esse tipo de previsão (a respeito do número de mortos). Mas posso dizer que há muito mais pessoas desaparecidas do que nós temos registrado", disse à Reuters o major Emerson Neri, gerente de operações da Defesa Civil. A localidade de Morro do Baú, no município de Ilhota, está entre os locais com a situação mais crítica, segundo Neri. Ali viviam cerca de 750 pessoas que tiveram suas casas engolidas pela lama. Aproximadamente 550 foram resgatadas por helicóptero nos últimos dois dias. O restante permanece no local, mas nem todos com vida. "Não sabemos precisar quantas pessoas morreram soterradas no Morro do Baú. Mas é certo que muitas casas foram engolidas e é provável que houvesse pessoas dentro de algumas delas", afirmou. As chuvas insistentes interromperam por quatro vezes o resgate das vítimas no local. Os trabalhos foram suspensos durante a noite, mas cerca de 30 bombeiros voluntários e dois técnicos do Instituto Médico Legal passarão a noite ali com os moradores, que também receberam água, comida e mantimentos. Segundo o major, já foram retirados 16 corpos do Morro do Baú, elevando para 29 o número de mortos em Ilhota. O município, a 111 quilômetros de Florianópolis, é o que registra até o momento o maior número de vítimas fatais numa das maiores tragédias climáticas já registradas no Estado.

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