De rota alternativa a definitiva

Ex-presidente da Dersa e ex-conselheiro da CET, Luís Célio Bottura considera que a estrutura de vias residenciais usadas como rotas alternativas está ameaçada. "A licença ambiental da obra não dimensionou os estragos que veículos pesados podem fazer em tubulações, fios, asfalto, árvores e até na sinalização horizontal pintada no chão. A trepidação que os carros causam nessas ruas, que não foram planejadas para receber um volume grande de veículos, como na Vila Maria e na Casa Verde, pode abalar a estrutura das residências também", disse. "E são indicadas nos desvios vias de rampa alta, por onde não deveriam circular caminhões com carga pesada. Faltou planejamento."

Diego Zanchetta, O Estadao de S.Paulo

24 de novembro de 2009 | 00h00

Bottura acredita que essas rotas alternativas não serão abandonadas com a conclusão da ampliação da Marginal. "Esses desvios estão ensinando pela primeira vez como o motorista deve fazer para evitar a Marginal. Daqui a um ano, quando estiver parado num congestionamento perto da Ponte da Casa Verde, o motorista vai lembrar o caminho alternativo. Se um dia tiver pedágio na Marginal, você acha que esses caminhos não serão lembrados?", questiona. "Vai ser igual à obra do corredor de ônibus da Rebouças. Todo mundo começou a cortar caminho por dentro do Jardim Europa durante a obra e até hoje o bairro é usado muito como rota alternativa."

Horácio Figueira, da consultoria Hora H Pesquisa Engenharia e Marketing, considera que as ruas usadas como rotas alternativas vão ficar esburacadas assim que começarem as chuvas de verão. "Resta saber quem vai recompor esses estragos ambientais e nos bairros feitos pela obra."

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