Madalyn Ruggiero/AP
Madalyn Ruggiero/AP

Debate entre vices nos EUA pode expor as duas faces de Ryan

Candidato ganhou fama como um militante do rigor fiscal, mas adotou um tom mais prudente

SAM YOUNGMAN, Reuters

10 de outubro de 2012 | 10h57

SAINT PETERSBURG, ESTADOS UNIDOS - O deputado republicano Paul Ryan está mudado. O companheiro de chapa de Mitt Romney ganhou fama como um militante do rigor fiscal, mesmo que isso inclua cortes impopulares em programas sociais.

Veja também:

linkRomney equilibra disputa em Estados decisivos

tabela ESPECIAL: Eleições nos EUA

forum CURTA NOSSA PÁGINA NO FACEBOOK

Mas, desde que foi indicado candidato a vice-presidente dos EUA, em agosto, ele adotou um tom mais prudente, evitando discussões detalhadas do seu plano orçamentário, e ganhando o apelido de "mini-Mitt" por se mostrar tão cauteloso quanto o candidato presidencial.

Para o vice-presidente Joe Biden, a principal questão a ser levada para o debate dos candidatos a vice, na quinta-feira no Kentucky, será "a escolha entre qual Ryan nós iremos ver", segundo um assessor do democrata.

Em vez de promover suas próprias propostas fiscais, que incluem limites nos gastos do programa de saúde Medicare, Ryan está apresentando durante a campanha a versão de Romney, que é mais palatável ao eleitorado, por não prever limites para gastos.

"O vice-presidente está estudando as posições reais (de Ryan), e está preparado para chamá-lo a falar a respeito das suas verdadeiras posições", disse o assessor de Biden, alertando que "talvez haja alguma desonestidade" do rival.

No debate, Biden tentará consertar parcialmente o estrago causado pela má atuação do presidente Barack Obama no primeiro debate entre os candidatos presidenciais, na semana passada -- fato que pulverizou a vantagem que o democrata tinha sobre Romney nas pesquisas.

Os democratas exploram as propostas orçamentárias de Ryan como prova de que ele é um inimigo dos idosos e da classe média.

Mas a campanha republicana tem se esforçado em enfatizar que Ryan, presidente da Comissão de Orçamento da Câmara, concorda com Romney nas questões fiscais.

"É preciso lembrar que essa é uma chapa Romney-Ryan, e que há um candidato presidencial, há uma pessoa na cabeça de chapa", disse Kevin Madden, porta-voz de Romney, na terça-feira.

O decorrer da campanha também tem reforçado a imagem de Ryan como um simpático homem do Meio-Oeste, e não como um congressista radical. Nesta semana, ganhou repercussão o fato de Ryan ter interrompido uma entrevista diante de uma pergunta que o desagradou, mas o deputado manteve o bom humor depois do fato, e não saiu contrariado, como sugeriram algumas reportagens.

Questões econômicas à parte, Ryan está claramente se guiando por Romney na política externa, ponto fraco do parlamentar de 42 anos em relação a Biden, que passou mais de uma década na Comissão de Relações Exteriores do Senado.

Na segunda-feira, em Ohio, Ryan repetiu de forma praticamente literal os recentes ataques de Romney contra Obama pela forma como ele tem lidado com questões internacionais.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.