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Decisão da Ford de encerrar turno da noite em Camaçari afetará dois mil empregados

Montadora irá parar a produção do turno noturno da fábrica baiana a partir de março de 2016; a Ford ainda não sabe o que vai acontecer com o excedente de trabalhadores, se serão demitidos, se dará férias coletivas ou se irá aderir ao PPE

André Ítalo Rocha, O Estado de S.Paulo

24 Novembro 2015 | 20h04

SÃO PAULO - A decisão da Ford de encerrar as atividades de produção do turno da noite em uma fábrica na Bahia a partir de março de 2016 afetará cerca de 2 mil trabalhadores, entre funcionários da própria Ford e sistemistas (fornecedores), informou a montadora, por meio de sua assessoria de comunicação. A fábrica fica na cidade de Camaçari e conta hoje com 4.712 empregados. 

A empresa, no entanto, ainda não sabe o que vai acontecer com o excedente de trabalhadores, se serão demitidos, se entrarão em férias coletivas ou se serão cadastrados no Programa de Proteção ao Emprego (PPE), do governo federal. As empresas que aderem ao programa podem reduzir a jornada de trabalho dos funcionários em até 30%, com diminuição dos salários no mesmo nível. Metade da perda salarial é compensada pelo governo. A unidade de São Bernardo do Campo, em São Paulo, já aderiu ao PPE.

A promessa da montadora, por enquanto, é utilizar "todas as ferramentas possíveis para tratar do excedente da força de trabalho na fábrica". As negociações com o Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari já começaram. A Ford atribuiu a decisão de encerrar a produção no terceiro turno à "significativa desaceleração do mercado automotivo" em 2015, que resultou em uma queda no volume produzido pela fábrica. A unidade tem capacidade para produzir 250 mil veículos por ano. A montadora, porém, não informou quantas unidades foram produzidas em 2015 nem o número excedente de trabalhadores.

Em relação às vendas, a Ford registra a comercialização de 217.086 unidades no acumulado de janeiro a outubro deste ano, queda de 11% em comparação com igual período do ano anterior, segundo dados da Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). A montadora é a quarta que mais vendeu no Brasil em 2015. No entanto, considerando apenas outubro, perdeu a quarta colocação para a Hyundai.

Caminhando para terminar o ano com o pior nível de vendas desde 2007, o setor automotivo já demitiu pelo menos 37,8 mil trabalhadores em 2015, sendo 26 mil nas concessionárias e 11,8 mil nas montadoras, mostram dados da Fenabrave e da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). 

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