Decretada prisão de empresário por mortandade de peixes

A Justiça do Rio Grande do Sul atendeu a um pedido do Ministério Público e decretou nesta segunda a prisão preventiva do diretor-presidente da Utresa Central de Resíduos, Luiz Ruppenthal. A empresa e seu responsável foram apontados pelos promotores Paulo Eduardo Vieira, de Estância Velha, e Marcelo Tubino, de Portão, como culpados pelo desastre ambiental que provocou a morte de 86 toneladas de peixes no rio dos Sinos, no início de outubro. A polícia não encontrou o empresário e passou a considerá-lo foragido.A Utresa tem como atividade a prestação terceirizada de serviços de tratamento de efluentes das indústrias coureiro-calçadistas, de alimentação, celulose e metalurgia. Os promotores constataram que, em vez de dar destinação correta aos resíduos, a empresa lançava parte deles diretamente nos arroios que deságuam no rio dos Sinos. A investigação indicou a presença na água de produtos altamente tóxicos, como mercúrio, cromo, benzeno e xileno, potenciais causadores de câncer. Vieira disse que, além dos dutos para conduzir efluentes sem tratamento diretamente aos arroios, a Utresa fazia modificações na sua estrutura sem licenças ambientais. O Ministério Público também vai trabalhar por uma intervenção na empresa, para que ela tenha seus processos regularizados e passe a prestar serviços adequados, mesmo que sob nova direção. O simples fechamento deixaria a situação ainda pior, porque os clientes não teriam como tratar os efluentes em seus parques industriais. No início do mês de outubro, milhões de exemplares de peixes foram encontrados mortos, boiando no rio dos Sinos, em um dos piores desastres ambientais da história do Rio Grande do Sul. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) multou seis empresas, inclusive a Utresa, que estão contestando a medida com recursos administrativos. Além dos resíduos tóxicos, o despejo de esgoto doméstico e a baixa vazão do rio foram apontados como causadores da tragédia.

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