Dedo mumificado revela doença de rei espanhol

Um pedaço do dedo mínimo de Carlos V, com 450 anos de idade, traz apoio à idéia de que a gota foi a doença que levou o monarca, um dos mais poderosos de todos os tempos, a deixar o trono. Carlos V era imperador do Sacro Império Romano e rei da Espanha, senhor de domínios que incluíam boa parte da Europa e da América. Ao final de seu reinado, em 1556, era um homem aleijado, que mal conseguia andar ou cavalgar. Os médicos do século 16 já haviam diagnosticado que o monarca sofria de gota."Seu sofrimento influenciou decisões que afetaram o destino de muitos países", disse o patologista espanhol Pedro Luis Fernandez, da Universidade de Barcelona e autor do estudo sobre os restos do monarca, publicado na edição desta quinta-feira do New England Journal of Medicine.Para confirmar o diagnóstico de gota, um tipo de artrite que, hoje se sabe, é provocado pelo acúmulo de ácido úrico no sangue, os cientistas testaram um pedaço mumificado do dedo mínimo do imperador. Fernandez disse que a ponta do dedo foi removida do corpo em algum ponto da história e, depois, devolvida. Ela é mantida numa caixa revestida de veludo vermelho no monastério real de San Lorenzo de El Escorial, onde Carlos V está sepultado.As análises revelaram depósitos de cristais de ácido úrico, com o formato de agulhas, que erodiram tecido e osso - um sinal claro de gota. Esses cristais surgem do acúmulo do ácido úrico no corpo, e causam dor e inflamação nas juntas, freqüentemente no dedão do pé. A gota é associada, há tempos, a dietas generosas e álcool. De acordo com os pesquisadores, Carlos V tinha um grande apetite, principalmente por carne, e bebia grandes quantidades de cerveja e vinho. O imperador morreu em 1558, provavelmente de malária.Os pesquisadores lembram que alguns historiadores acreditam que Carlos V decidiu abdicar em 1556 por conta de um ataque de gota que o forçou a adiar uma tentativa de retomar a cidade francesa de Metz.

Agencia Estado,

02 de agosto de 2006 | 17h57

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