Defensor do ambiente no palanque e na rua

Enquanto conversa com o Estado pelo telefone, o ex-ministro do Meio Ambiente Carlos Minc (PT-RJ) compra um remédio fortificador de unhas em uma farmácia de Lisboa. A reportagem ouve Minc recusando a sacola plástica oferecida pelo vendedor. "A lei que proíbe sacolinhas plásticas é minha, seria no mínimo absurdo que eu as utilizasse", diz ele, atual deputado estadual no Rio de Janeiro.

Gustavo Bonfiglioli, O Estado de S.Paulo

05 Junho 2011 | 00h00

Minc esteve no mês passado em Portugal, por causa de uma conferência de um jornal ambiental. Embora seja conhecido no País pela defesa do meio ambiente, poucos sabem que ele procura estender as boas práticas verdes ao seu dia a dia - mas sem radicalismo. "Gostaria de ir ao trabalho de bicicleta, mas eu ainda não consegui largar o carro", afirma o deputado.

Ainda assim, ele adota atitudes sustentáveis: faz coleta seletiva de lixo, usa bolsas reutilizáveis nas compras, consome produtos orgânicos, compra aparelhos eletrônicos com selo de eficiência energética do Inmetro e planta árvores em seu bairro, em Laranjeiras, no Rio, onde mora com a mulher, Margarida.

Aos 59 anos, Minc revela que não teve educação ambiental na infância. "Não havia informação sobre isso, não existia a lógica preservacionista." Hoje, ele sente que existe mais vontade na população em geral de ser ecofriendly, mas nem todos têm ideia de como fazer isso da maneira correta.

"Não adianta consumir um produto que se diz ecológico se não conhecemos todo o seu ciclo de vida. Ainda há pouquíssima informação, mas estamos avançando." O deputado defende a criação de um guia público de compras sustentáveis. "Existem cálculos que devem ser feitos para analisar o custo-benefício ambiental de cada produto. O guia ajudaria."

Mesmo tendo crescido em uma época de pouca discussão ambiental, o ex-ministro foi influenciado pelo pai, químico. "Desde pequeno eu sabia do perigo ambiental de algumas substâncias. Ele me ajudou muito a elaborar leis, como a de substituição do mercúrio na indústria de cloro-soda por tecnologias limpas, já que o metal gera grande passivo ambiental e intoxica os trabalhadores. Ele mesmo já foi intoxicado."

Lixo na praia. Na vida pública, Minc ajudou a fundar o Partido Verde, aprovou um grande número de leis em suas gestões como parlamentar, além de participar de passeatas pela causa ambiental. Às vezes, o deputado estadual, que está no sexto mandato, dispensa o palanque e põe a mão na massa.

"As pessoas jogam muito lixo na praia de Ipanema. Assim que se levantam para ir embora, eu recolho o que deixaram na areia", conta. "É um ativismo silencioso e às vezes mais efetivo do que ser assertivo: as pessoas ficam constrangidas, pedem para eu parar e começam a recolher."

O ESPECIALISTA

Selo Inmetro evita desperdício de energia

Para o presidente do Inmetro, o físico João Jornada, não existe forma de produzir energia sem impacto ambiental, por menor que seja. Jornada afirma que os indicadores que devem ser levados em conta em decisões envolvendo a sustentabilidade são invisíveis ao consumidor, daí a importância do selo da instituição. "O uso de energia é um parâmetro fundamental para mensurar a sustentabilidade. Levar em conta o selo na hora de comprar é uma atitude correta. Beneficia o País e o bolso do consumidor." Quem desperdiça energia, diz o físico, obriga o Estado a investir em novas centrais geradoras.

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