Defesa Civil estima mais de 100 mortes em Santa Catarina

Chuva diminui, mas risco de deslizamentos aumenta; proliferação de doenças já preocupa governo

Júlio Castro, O Estado de S. Paulo

26 Novembro 2008 | 07h48

A Defesa Civil de Santa Catarina estima em mais de cem os mortos em decorrência das chuvas no Estado. Até as 23 horas desta terça, 25, foram contabilizados 84 óbitos e 36 pessoas estavam desaparecidas. Vinte das vítimas fatais são de Blumenau. Pelo balanço oficial, cerca de 60 mil pessoas estão desalojadas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve seguir amanhã para as áreas atingidas.     Veja também: Defesa Civil alerta para temporais em SC Chuva deixa 137 mil residências sem luz Defesa Civil abre conta para doações 'Em 1 minuto, eu perdi as duas', diz pai Tragédia em Santa Catarina  Veja galeria de fotos dos estragos em SC   Número de vítimas deve subir  Para governador, será preciso muito recurso  Morador de Blumenau relata a situação  Em 48 horas, sete municípios decretaram estado de calamidade pública: Blumenau, Ilhota, Gaspar, Rio dos Cedros, Nova Trento, Camboriú e Benedito Novo. Outros sete estão em situação de emergência (Balneário Piçarras, Canelinha, Indaial, Penha, Paulo Lopes, Presidente Getúlio e Rancho Queimado). Na região do Vale do Rio Itajaí-Açu, a mais atingida, a chuva diminuiu e o nível dos rios parou de subir. O resgate das vítimas foi acelerado, contando com 15 helicópteros. Outros quatro estão lotados no município de Ilhota, onde pelo menos 15 pessoas morreram. O Morro do Baú foi a localidade mais atingida pelos deslizamentos. Cerca de 80 casas foram destruídas. Quatro rodovias federais e nove estaduais continuam interditadas. A situação mais crítica era a do km 235 da BR-101, no município de Palhoça, na Grande Florianópolis, cujas pistas devem ser liberadas apenas no sábado. Em Itajaí, houve registros de saques a casas e supermercados. "Imagina um tsunami, que normalmente é de água. Aqui passou um tsunami de uma mistura de lodo, terra, entulho, árvores, restos de casas", disse uma moradora.   IPT O Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT) está enviando para a região um grupo de pesquisadores especialistas em solo para colaborar com a Defesa Civil na avaliação e na prevenção dos deslizamentos de terra. Com a diminuição da chuva, aumenta o risco de soterramentos, por causa da grande quantidade de água que se infiltrou no solo e nas encostas. Um engenheiro da empresa que fornece energia para a região de Blumenau chegou a afirmar, enquanto trabalhadores tentavam erguer postes para o restabelecimento de energia em 50% da cidade, que o trabalho não evolui. "A terra não segura. Os postes não conseguem ficar de pé. É como se a gente estivesse fixando postes em gelatina", comentou. Outra grande preocupação reside na proliferação de doenças. Técnicos especializados na prevenção de várias doenças, incluindo leptospirose, estão sendo convocados de vários Estados. A Secretaria de Saúde de Santa Catarina também começou a trabalhar numa campanha de prevenção. Serão acionados helicópteros - cujos tripulantes usarão megafones, para atingir moradores de cidades que estão sem energia.

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