Defesa de Cepollina diz ter nova prova no caso Ubiratan

A defesa da advogada Carla Prinzivalli Cepollina, de 41 anos, acusada de matar o coronel da reserva e deputado estadual Ubiratan Guimarães há exatamente um ano, diz ter encontrado evidências da inocência de sua cliente. Ela vai usar como prova um relatório antigo elaborado pelo Setor de Homicídio da Corregedoria da Polícia Militar. Nele, PMs que estiveram na cena do crime chamam atenção para uma gravação suspeita deixada na secretária eletrônica de Ubiratan por um homem com sotaque gaúcho."É a voz do morto!", dizia a mensagem. O relatório da PM aponta que o recado na secretária foi deixado às 21h15 do dia 10 de setembro. O corpo do coronel só foi encontrado às 22h28. Na semana seguinte à morte do coronel, peritos do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) analisaram todo o histórico das mensagens da secretária eletrônica da vítima. Chegaram à conclusão de que a gravação era na verdade das 2h28 da madrugada e não das 21h15. De acordo com o laudo nº 0049079/2006 produzido pelo Instituto de Criminalística (IC), às 21h15 "o interlocutor desligou e não deixou mensagem".A tese das advogadas de defesa é outra. Após confrontarem os dados da quebra de sigilo telefônico da vítima com o histórico de chamadas da secretária eletrônica, perceberam uma diferença de apenas 5 minutos entre o horário da ligação registrada na relação dos telefonemas obtida com a quebra de sigilo telefônico e o horário mostrado na secretária eletrônica. O resultado é diferente do que atestou a perícia na época."Não faz sentido. Como o relatório da Corregedoria da PM diz uma coisa e o laudo do IC diz outra?", pergunta a criminalista Dora Cavalcanti Cordani, que encabeça a defesa. "A Carla não foi a última pessoa a estar no apartamento. Alguém sabia que o coronel estava morto antes de o corpo ser encontrado."As advogadas vêem outras incongruências nas provas do Ministério Público Estadual (MPE). Dizem que minutos depois de Carla deixar o apartamento do coronel, um sábado, dia 9, o elevador que costumava ficar no térreo voltou ao 7º andar, o mesmo de Ubiratan. Outra suspeita levantada pela defesa é que alguém ligou o celular de Ubiratan antes de o corpo ser encontrado. As advogadas dizem isso por causa do ''''torpedo'''' enviado por Carla ao celular do coronel, às 8h21 do dia 10. O aviso de recebimento retornou às 11h27. "A demora, segundo os técnicos, tem a ver com a falta de antenas próximas, o que não era o caso, uma vez que há uma estação rádio-base no topo do prédio da vítima. O celular também podia estar desligado e foi religado", diz a advogada. "Alguém religou o aparelho e não foi ele." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

AE, Agencia Estado

10 de setembro de 2007 | 08h40

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