Defesa de Dirceu dirá que condenação seria 'atrevida e escandalosa'

O advogado do ex-ministro José Dirceu na ação penal do mensalão, José Luís de Oliveira Lima, pedirá a absolvição de seu cliente com as mesmas palavras que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, usou para pedir a condenação dos réus.

Reuters

06 de agosto de 2012 | 14h38

"Pedir a condenação de José Dirceu é a mais atrevida e escandalosa afronta à Constituição", disse Oliveira Lima à Reuters, citando frase da defesa que fará nas próximas horas durante o julgamento no Supremo Tribunal Federal.

Gurgel disse na sexta-feira que o mensalão foi "o mais atrevido e escandaloso caso de corrupção e de desvio de dinheiro público feito no Brasil". Ele falou por quase cinco horas e pediu a condenação e imediata prisão, após o julgamento, de 36 dos 38 réus.

Além da defesa de Dirceu, estão programadas as falas dos advogados do ex-presidente do PT José Genoíno, do ex-tesoureiro da sigla Delúbio Soares, e dos empresários Marcos Valério e Ramon Rollerbach.

Os três primeiros são considerados os principais réus do que a Procuradoria Geral da República chamou de "núcleo político" do escândalo que ficou conhecido como mensalão, um alegado esquema denunciado em 2005, durante o primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sob o qual parlamentares receberiam dinheiro em troca de apoio político ao governo no Congresso.

O terceiro dia do julgamento poderá ter um novo pedido de questão de ordem, por parte do advogado Alberto Toron, que representa o deputado João Paulo Cunha (PT-SP). Ele quer que a defesa tenha tempo proporcional para falar ao número de acusações que pesam sobre cada um dos réus.

Pela regra estabelecida pelo tribunal, todos os advogados têm o mesmo tempo, uma hora, para fazer a sustentação oral da defesa de seu cliente.

No primeiro dia do julgamento, na semana passada, uma questão de ordem levantada pelo advogado e ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, que representa o ex-diretor do Banco Rural José Roberto Salgado, atrasou o cronograma que havia sido estabelecido pelo Supremo.

O primeiro dia estava reservado para a leitura de um resumo do relatório do ministro Joaquim Barbosa e para a acusação de Gurgel. Com a questão de ordem, a acusação do procurador-geral acabou sendo feita na sexta e o início das defesas dos réus ficou para esta segunda.

(Reportagem de Ana Flor)

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