Defesa de Duda Mendonça acusará Gurgel de politizar julgamento do mensalão

A defesa dos últimos réus da ação penal do chamado mensalão deve reforçar nesta quarta as críticas ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, responsável pela acusação, ao ponto de ele ser responsabilizado por ajudar a politizar o julgamento do caso, em que 36 dos 38 réus tiveram sua condenação requerida pelo Ministério Público Federal.

Reuters

14 de agosto de 2012 | 19h59

Os advogados dos dois últimos réus --o publicitário Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes—- irão encerrar as sustentações orais das defesas na quarta com novas críticas ao que consideram falta de provas e à "adjetivação" da acusação.

"O procurador preferiu fazer adjetivações e se portou de forma a ajudar a politização do processo, tirando proveito disso", afirmou à Reuters o advogado de defesa de Duda, Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay.

Apesar de a tentativa de desmontar a acusação ser estratégia recorrente das defesas, nos últimos dias o STF foi lugar de ataques pessoais a Gurgel, e advogados chegaram a dizer que ele "não fez seu trabalho" pois não teria conseguido agregar mais provas ao processo.

Nesta terça, outro advogado usou a letra de uma música de Cazuza para dizer "Senhor procurador, sua piscina está cheia de ratos, suas ideias não correspondem aos fatos". Na semana passada, usou-se a música "Apesar de Você", de Chico Buarque, para rebater a peça de acusação do procurador.

A defesa de Duda e Zilmar será feita em duas partes. Primeiro, o advogado Luciano Feldens deve atacar pontos técnicos, como as acusações de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Depois, Kakay deverá falar do processo como um todo, inclusive rebatendo a existência do chamado mensalão e atacando o que vê como incapacidade do MPF de produzir provas e dar consistência à acusação.

Duda é acusado pelo MPF de receber recursos do suposto esquema e enviar para o exterior.

Com o encerramento das sustentações orais de defesa, o julgamento entra em uma segunda fase, que é o voto dos ministros. Não há prazo para término, apesar de as duas maiores falas, que devem ser do relator Joaquim Barbosa e do revisor Ricardo Lewandowski, terem quatro sessões cada para ocorrer.

(Reportagem de Ana Flor)

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