Defesa do casal Nardoni adia pedido de habeas-corpus ao STF

Advogados vão aguardar definição de méritos e esperam que perícia alternativa aponte 3ª pessoa no crime

Carolina Freitas, Agência Estado

20 de maio de 2008 | 17h18

A defesa do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, que estão presos, acusados de matarem a menina Isabella Nardoni, em 29 de março, decidiu não pedir, por enquanto, habeas-corpus para eles ao Supremo Tribunal Federal (STF). O advogado Rogério Neres de Sousa disse nesta terça-feira, 20, que a defesa vai esperar pelo menos até o fim desta semana por uma definição de mérito quanto aos pedidos de liberdade feitos ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) e ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).   VEJA TAMBÉM Legista do caso PC aceita convite da defesa do casal Nardoni Pesquisa mostra que a população aprova polícia no Caso Isabella Chance de liberdade dos Nardoni é maior no STF, diz defesa Leia a decisão do ministro do STJ  Fotos do apartamento onde ocorreu o crime  Cronologia e perguntas sem resposta do caso  Tudo o que foi publicado sobre o caso Isabella     O TJ-SP e o STJ negaram liminar no caso. Na segunda-feira, os advogados voltam a avaliar a possibilidade de ir ao STF.   A perícia alternativa que analisará os laudos da Polícia Científica de São Paulo sobre a morte de Isabella pode apontar para uma terceira pessoa na cena do crime, segundo a expectativa da defesa de Alexandre Nardoni e Anna Carolina.   O médico legista George Sanguinetti, conhecido por sua atuação no caso PC Farias, chefiará uma equipe de quatro profissionais. Ele foi contratado pela defesa para produzir um parecer sobre o caso, por orientação do avô de Isabella e pai de Alexandre, o advogado Antônio Nardoni.   Depois de destacar que o trabalho de Sanguinetti será "independente, autônomo e idôneo", o advogado Rogério Neres de Sousa admitiu: "Eu não posso extrair a possibilidade da terceira pessoa dos laudos, mas nossa expectativa em relação ao trabalho dos peritos vai nesse sentido".   As conclusões da perícia alternativa serão apresentadas na segunda-feira, 26, em entrevista coletiva à imprensa. Elas devem apontar pontos considerados "obscuros" pela defesa nos laudos do Instituto de Criminalística (IC) e Instituto Médico Legal (IML).   "Será um trabalho de avaliação dos laudos e do material produzido pela perícia paulista", explicou Neres de Sousa. "Isso vai originar um parecer a ser apresentado à Justiça." Ou seja, será incluído no processo penal.   Um dos pontos questionados pelos peritos deve ser a asfixia de Isabella. Segundo o advogado, os dados do laudo não permitem saber quem esganou a menina. Pela denúncia do Ministério Público Estadual, acolhida pela Justiça, Anna Carolina foi a responsável pela agressão.   "Não há possibilidade de definir se a esganadura foi causada por homem ou mulher, nem se as marcas no pescoço são compatíveis com as mãos de Anna Carolina", disse Neres de Sousa. "Esse é um dos muitos pontos frágeis dos laudos, que precisam ser esclarecidos."   Boas notícias   Hoje pela manhã os advogados Neres de Sousa e Ricardo Martins visitaram Anna Carolina, na Penitenciária Feminina Santa Maria Eufrásia Pelletier, em Tremembé, no interior de São Paulo. Ela teria ficado "muito contente" ao saber da perícia alternativa e ao ler em um jornal trazido pelos defensores uma notícia de que não haveria provas materiais contra ela nos laudos do IC e IML.   Anna Carolina está isolada em uma cela da penitenciária há 12 dias, sem banho de sol. "Ela sente solidão e muita saudade dos dois filhos", afirmou Neres de Sousa. Nesta sexta-feira, 23, quando completam-se 15 dias de Anna Carolina no presídio, ela deve ter acesso ao pátio e conviver com outras detentas.   Agora à tarde, os advogados visitam Alexandre, na Penitenciária Doutor José Augusto Salgado (P-2), em Tremembé. Eles pretendem levar as mesmas boas notícias a ele e conversar sobre o interrogatório do casal à Justiça, marcado para o dia 28.

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