Defesa insiste que Delúbio gerenciou caixa dois

Para defender a tese de que o chamado mensalão não passou de distribuição de recursos de caixa dois de campanha, a defesa do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares iniciou a apresentação aos ministros do Supremo Tribunal Federal recordando o período em que se formou a aliança que elegeu o ex-presidente Lula, em 2002.

Reuters

06 de agosto de 2012 | 18h44

O advogado Arnaldo Malheiros Filho confirmou que houve atitude ilícita de seu cliente, mas tentou afastar tanto Delúbio quanto os demais réus do chamado mensalão da tese de compra de votos em troca de apoio político para aprovação de projetos de interesse do governo no Congresso.

Segundo ele, a ocorrência de caixa dois é um crime eleitoral - e, portanto, tem pena menor do que as sugeridas pela acusação feita pelo procurador-geral a República, Roberto Gurgel. Delúbio, segundo o procurador-geral, seria o "principal elo" entre o chamado núcleo político e o núcleo operacional do esquema.

Malheiros cruzou votações no Congresso, nas quais o governo ganhou ou perdeu, com a transferência de recursos. E chegou a brincar que o governo petista era "um traído feliz".

"Quanto mais traído era, mais dinheiro mandava", disse Malheiros, defendendo que os repasses ocorriam mesmo quando o governo era derrotado nas votações.

"Esse dinheiro todo em cash (dinheiro vivo) sugere algum ilícito. Mas era ilícito mesmo. Agora, o Delúbio é um homem que não se furta a responder por aquilo que fez. Ele só não quer ser condenado pelo que não fez", disse, defendendo que o ex-tesoureiro não tinha envolvimento em decisões políticas.

"Delúbio nunca se envolveu com essa questão do jogo político, do apoio parlamentar. O problema dele era providenciar dinheiro para custear despesa de campanha", acrescentou.

Malheiros chegou a citar a expressão "caixa dois". "Ele operou caixa dois de campanha...Operou...Que isso é ilícito, é ilícito... E isso ele não nega. Agora, ele não corrompeu ninguém", afirmou.

"Até porque ele não tinha, na sua função interna do partido, essa atribuição de obter apoio político, obter maioria parlamentar", acrescentou.

Delúbio, segundo o relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, já assumira a prática de caixa dois.

O julgamento do chamado mensalão, um suposto esquema de desvio de recursos públicos que seriam usados para a compra de apoio entre parlamentares da base governista no Congresso, foi iniciado na quinta-feira.

Neste terceiro dia de sessão, os 11 ministros do STF já ouviram, além da defesa do ex-tesoureiro, a do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, do ex-presidente do PT José Genoino e do publicitário Marcos Valério.

(Reportagem de Ana Flor)

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