Defesa nega participação de ex-ministro em compra de votos

A defesa do ex-ministro dos Transportes Anderson Adauto negou nesta terça-feira, em julgamento da ação penal sobre o chamado mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), que ele tenha participado de esquema de compra de votos e afirmou que os telefonemas do réu a um deputado federal do PTB seriam sobre dívidas de campanha.

Reuters

14 de agosto de 2012 | 20h38

Atual prefeito de Uberaba (MG), Adauto, que à época do escândalo era do PL (atual PT) e hoje está no PMDB, é acusado de corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

Ele teria recebido, entre 2003 e 2004, 950 mil reais do publicitário Marcos Valério, apontado como principal operador do suposto esquema. O chefe de gabinete do ex-ministro, José Luiz Alves, teria intermediado os pagamentos.

A denúncia apontou ainda a existência de indícios de que o ex-ministro ofereceu vantagem indevida a congressistas para que votassem a favor de projetos de interesse do governo. Ele teria feito a ligação entre PTB e PT.

A defesa do ex-ministro reconheceu que Adauto fez diversos telefonemas ao ex-deputado federal Romeu Queiroz (PTB-MG), mas que as ligações seriam sobre pagamento de dívidas de campanha. Segundo a defesa, o Ministério Público teria usado as ligações como a principal prova da participação de Adauto no suposto esquema.

Queiroz teria relatado a Adauto dificuldades em saldar pendências eleitorais. O ex-ministro teria levado a questão ao então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, que teria se prontificado a auxiliar na quitação das dívidas.

"Delúbio Soares se prontificou a auxiliar Anderson Adauto para honrar essas dívidas. Anderson Adauto fez esse relato a Romeu Queiroz. E Romeu Queiroz (disse): 'será possível então eu conversar com Delúbio?'", disse o advogado Roberto Garcia.

"Anderson Adauto ligou para Delúbio, falou para Delúbio que Romeu Queiroz queria falar com Delúbio", disse.

Queiroz também é réu no processo e teria recebido em proveito próprio 102 mil reais via Banco Rural, segundo a denúncia.

O advogado negou que Adauto agiu na relação entre PTB e PT já que o ex-ministro "não transitava na cúpula dos dois partidos" e que a aliança entre os partidos era "estável" desde 2002.

Garcia rebateu ainda a acusação de que Adauto teria intermediado a compra de apoio do ex-deputado federal e atual presidente do PTB Roberto Jefferson, delator do suposto esquema.

"Roberto Jefferson não teve nenhum contato com Anderson Adauto, não há informação de que Roberto Jefferson tenha sofrido influência de Anderson Adauto para que integrasse ou apoiasse o Partido dos Trabalhadores", disse o advogado.

O chamado mensalão seria um suposto esquema de desvio de recursos e compra de apoio ao governo da base aliada no Congresso. O caso veio à tona em 2005 e provocou a pior crise política do governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Esta foi a nona sessão do julgamento do caso. Na quarta-feira será o último dia destinado às argumentações orais da defesa, com a apresentação dos advogados dos últimos três dos 38 réus. O voto do relator, ministro Joaquim Barbosa, será iniciado logo depois.

O julgamento no STF foi iniciado no dia 2 de agosto e não há previsão para seu término, já que os ministros poderão levar quantas sessões necessitarem para a leitura de seus votos.

(Reportagem de Hugo Bachega)

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