Déficit de centros para dependentes é de 91% no País

O Brasil não tem um serviço público de saúde preparado para atender dependentes de álcool e drogas. A crítica, feita pela Organização das Nações Unidas (ONU) no início deste mês, procede. Em São Paulo, por exemplo, segundo diretrizes internacionais adotadas pelo Ministério da Saúde, deveria haver 110 Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps Ad) para 11 milhões de paulistanos - 1 para cada 100 mil. Mas só há 15 e apenas um deles oferece o tratamento que extrapola o atendimento médico para as áreas sociais, como manda o novo modelo de atenção às doenças mentais. O déficit no País é ainda maior que o paulistano: 91%.Os Caps foram criados em 2002, em reforma psiquiátrica feita pelo Ministério da Saúde. A idéia era eliminar o modelo focado na internação hospitalar, que isolava o doente da família e da sociedade, precipitava o abandono e praticamente eliminava a chance de reintegração social. O novo sistema busca trazer a família e a comunidade para o tratamento do dependente, para cuidar dele de forma integrada.O déficit de Caps no País chega a 91%. O Brasil tem 186 milhões de habitantes, segundo dados do IBGE, o que gera uma demanda por 1.860 centros - no lugar dos 165 cadastrados em 2007. A crítica de insuficiência é encampada pelo Ministério da Saúde, em nota: ?A rede de Caps Ad ainda é insuficiente e precisa ser expandida, considerando a alta prevalência dos transtornos decorrentes do uso prejudicial de álcool e outras drogas. É preciso um pacto federativo, sobretudo em relação ao álcool.?Em perspectiva, no entanto, o cenário é otimista. Segundo o ministério, o número de Caps Ad sobe, em média, 25% por ano desde 2003, quando havia apenas 58 centros. A meta do governo federal é ter 350 unidades até 2010.Segundo recomendações do ministério, o ideal seria que houvesse dez leitos de retaguarda em hospitais gerais para cada Caps Ad em funcionamento, para tratar casos de dependência mais grave. ?Em São Paulo, a única enfermaria de álcool e drogas fica no Hospital de Taipas?, afirmou o psiquiatra Sérgio Seibel, coordenador da Área Técnica de Atenção ao Dependente de Substâncias Psicoativas da Secretaria Municipal da Saúde. ?Hoje temos 38 mil leitos em hospitais psiquiátricos e cerca de 2,4 mil leitos em hospitais gerais?, informou a pasta. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

AE, Agencia Estado

18 de março de 2008 | 08h34

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