Déficit externo do Brasil recua com ajuste forte por crise

O déficit em transações correntes do Brasil recuou de forma expressiva em fevereiro e o Banco Central reduziu sua projeção para o saldo negativo no ano em resposta aos efeitos esperados da desaceleração da atividade e da crise econômica sobre as contas externas.

ISABEL VERSIANI, REUTERS

24 de março de 2009 | 13h15

O Brasil registrou em fevereiro um déficit em transações correntes de 591 milhões de dólares, em linha com o esperado pelo mercado e bem menor que o resultado negativo de 1,882 bilhão de dólares em igual período do ano passado.

No mês, as remessas de lucros e dividendos caíram frente ao mesmo período do ano passado e o saldo da balança comercial aumentou por conta de uma queda das importações em ritmo superior ao das exportações. O déficit da conta de serviços também recuou, em movimentos que refletem a desaceleração econômica e o encarecimento do dólar em meio à crise global.

"Houve um ajuste bastante profundo e rápido nas transações correntes", resumiu o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.

Ele afirmou que, na condição atual do Brasil de credor externo, a valorização do dólar tem efeito benigno sobre as contas externos.

Para março, a projeção da autoridade monetária é que as transações correntes tenham déficit de 1 bilhão de reais. No mês, há uma concentração sazonal de remessas de lucros e dividendos, segundo o BC.

Os investimentos estrangeiros diretos no país somaram 1,968 bilhão de dólares no mês passado. Em fevereiro de 2007, esses investimentos foram de 890 milhões de dólares.

Para o ano, no entanto, o BC reduziu sua estimativa de fluxo de investimentos diretos de 30 bilhões de dólares para 25 bilhões de dólares.

Altamir afirmou que a estimativa reflete a crise externa e é "conservadora".

O prognóstico para os investimentos estrangeiros em papéis domésticos de longo prazo e ações no ano também piorou, passando de uma saída líquida de 3 bilhões de dólares para uma saída de 10 bilhões de dólares.

Em 12 meses até fevereiro, o déficit em transações correntes correspondeu a 1,73 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), ante 1,76 por cento do PIB em 12 meses até janeiro.

A expectativa do mercado era que o déficit ficasse em 600 milhões de dólares, segundo a mediana de pesquisa feita pela Reuters junto a 23 analistas. As projeções variaram entre um déficit de 2 bilhões de dólares e zero.

NOVAS PROJEÇÕES

O BC revisou para baixo sua projeção de déficit em transações correntes em 2009 para 16 bilhões de dólares, ante estimativa anterior, feita em dezembro, de 25 bilhões de dólares.

O movimento refletiu principalmente uma redução da projeção para remessas e dividendos --para 15 bilhões de dólares, ante 20 bilhões de dólares-- e uma elevação do prognóstico de superávit comercial --para 17 bilhões de dólares, contra 14 bilhões de dólares.

O BC reduziu fortemente sua projeção para as importações no ano em meio à desaceleração econômica --para 141 bilhões de dólares, contra 179 bilhões de dólares-- e também para as exportações --para 158 bilhões de dólares, frente a estimativa anterior de 193 bilhões de dólares.

(Edição de Alexandre Caverni)

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