Déficit externo dobra em maio, mas BC mantém projeção

O déficit em transações correntes do Brasil dobrou em maio frente ao ano anterior e alcançou 4,10 bilhões de dólares, valor recorde para o mês, refletindo uma elevação dos gastos de brasileiros em viagens internacionais e crescimento das remessas ao exterior de lucros e dividendos.

ISABEL VERSIANI, REUTERS

27 Junho 2011 | 16h43

O investimento estrangeiro direto, por outro lado, apesar de não ter sido suficiente para financiar sozinho o déficit em conta corrente, voltou a surpreender positivamente o Banco Central e foi recorde para meses de maio, em 3,97 bilhões de dólares.

Para 2011, o BC manteve a projeção de déficit em conta corrente de 60 bilhões de dólares, mas fez ajustes na composição dessa saldo. Para o IED, o prognóstico também ficou estável, em 55 bilhões de dólares.

O saldo negativo de maio, divulgado nesta segunda-feira, ficou um pouco acima do esperado por analistas, de um déficit de 3,8 bilhões de dólares. Em igual período do ano passado, o déficit havia sido de 2 bilhões de dólares.

No mês, as remessas de lucros e dividendos por empresas multinacionais aumentaram para 4,189 bilhões de dólares, ante 2,880 bilhões de dólares há um ano, movimento que o BC atribuiu à elevação do estoque de investimentos no país e ao crescimento da economia doméstica.

O gasto com viagens internacionais também seguiu em alta, apesar do aumento da taxação sobre despesas internacionais com cartão de crédito promovido pelo governo com validade a partir do final de abril. No mês passado, a conta viagens ficou negativa em 1,120 bilhão de dólares, valor recorde para o mês, com as despesas dos brasileiros somando 1,664 bilhão de dólares, valor também recorde.

Despesas com a contratação de outros serviços internacionais, como seguros e aluguel de equipamentos e computação, também cresceram, contribuindo para alimentar o déficit.

O chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, ponderou que, na comparação com abril, houve uma desaceleração do crescimento dos gastos com cartão frente ao mesmo mês do ano anterior, de 54 por cento para 34 por cento.

"É uma primeira observação, ainda é preciso esperar para avaliar a tendência, mas houve desaceleração", afirmou.

PROJEÇÕES

Os investimentos de estrangeiros em ações no país mostraram certa recuperação no mês passado, somando 1,707 bilhão de dólares em entradas líquidas, frente a uma saída líquida de 3,349 bilhões de dólares dessas aplicações no mesmo mês do ano passado. Dados preliminares de junho, no entanto, já mostram uma piora do fluxo, com saída de 1,143 bilhão de dólares.

"Os ingressos para ações têm sido relativamente baixos este ano. Isso reflete um momento de maior incerteza internacional, maior cautela dos investidores. É algo que vem ocorrendo em várias bolsas, não só no Brasil", afirmou Maciel.

Para o ano, o BC reduziu suas projeção para investimento em

papéis domésticos e ações --de 15 bilhões para 7 bilhões de dólares-- principalmente por conta da retração já observada nas aplicações em ações.

A autoridade monetária também reduziu seu prognóstico para as captações de curto prazo --de 27 bilhões para 5,5 bilhões de dólares. Neste caso, a alteração é um reflexo da taxação imposta, no final de março e início de abril, aos empréstimos obtidos no exterior com prazo de até 720 dias.

A estimativa para os desembolsos de longo prazo, por outro lado, foi ampliada --de 49,8 bilhões para 71,9 bilhões de dólares-- acompanhando um movimento já observado de alongamento dos empréstimos após a medida.

A nova estimativa do BC é que a balança comercial feche o ano com superávit de 20 bilhões de dólares, ante projeção anterior de 15 bilhões de dólares. A revisão levou em conta a melhora dos dados comerciais nos primeiros cinco meses do ano, provocada principalmente pela alta dos preços das commodities.

Os prognósticos para as remessas de lucros e dividendos e de gastos com viagens, por outro lado, aumentaram, de 34 bilhões de dólares e 12 bilhões de dólares, respectivamente, para 37 bilhões e 15 bilhões de dólares.

Para junho, o BC previu um déficit em transações correntes de 4,2 bilhões de dólares e IED de 4,5 bilhões de dólares. Nos 12 meses até maio, o déficit em conta corrente correspondeu a 2,29 por cento do PIB.

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