Déficit externo vai a US$ 3,4 bi

BC prevê alta do déficit em conta corrente em novembro

Fernando Nakagawa e Fabio Graner, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

25 de novembro de 2009 | 00h00

Reflexo da retomada mais rápida da atividade econômica no Brasil, o déficit na conta corrente brasileira - que registra as transações de bens e serviços do País com o exterior - tem crescido aceleradamente nos últimos meses. E deve fechar novembro com saldo negativo de US$ 3,4 bilhões, segundo estimativa do Banco Central com base nos dados parciais das contas externas. Em outubro, o déficit em conta corrente foi de US$ 2,91 bilhões, o mais alto do ano.

Se a estimativa do BC para novembro for confirmada, será o maior déficit desde março de 2008, período em que a economia brasileira vivia o auge do crescimento no governo Lula.

A diferença é que, apesar de estar em recuperação, a atividade econômica interna está longe do patamar pré-crise. E o déficit externo só cresce porque as exportações brasileiras de bens e serviços estão em ritmo mais fraco que as importações.

O chefe adjunto do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central (BC), Túlio Maciel, disse que o aumento no déficit externo é "compatível com o aumento da atividade econômica no Brasil, que implica elevação da demanda de bens e serviços estrangeiros". Segundo ele, o processo de aumento no déficit na conta corrente do balanço de pagamentos é plenamente financiável e, por isso, não é um problema para o País. "O déficit não é preocupante porque as condições de financiamento dele são tranquilas", afirmou.

Ele se referiu especialmente ao fato de o fluxo de Investimento Estrangeiro Direto (IED), aquele voltado para a produção, ter compensado o saldo negativo. De janeiro a outubro, o IED foi de US$ 19,25 bilhões, enquanto o déficit em conta corrente foi de US$ 14,79 bilhões. Mas nos últimos meses isto não tem acontecido. Em setembro (US$ 1,82 bilhão) e outubro (US$ 1,56 bilhão), o IED foi menor do que o saldo negativo na conta corrente, que só foi coberto pelas aplicações de estrangeiros em ações e renda fixa.

Em novembro, o quadro deve se repetir. Segundo Maciel, em função de uma única operação de retorno de IED da ordem de US$ 1 bilhão - saída de dólares do Brasil que diminui o resultado líquido - o saldo parcial dessa conta no mês, até o dia 18, era de ingressos de US$ 800 milhões.

Para o fechamento de novembro, o BC prevê ingresso líquido positivo de US$ 1 bilhão em IED, o equivalente a menos de um terço do previsto para o déficit em conta corrente.

O economista e professor da PUC-SP Antônio Corrêa de Lacerda afirma que o problema está nos crescentes saldos negativos, que revelam o impacto negativo da valorização do câmbio. Isso estimula a importação e desestimula as vendas de produtos brasileiros no exterior. O risco, segundo Lacerda, é de se comprometer a industrialização do País no longo prazo, tornando-o exportador de matérias-primas e importador de bens de maior valor agregado, além de elevar a dependência de capitais externos.

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