Degelo de solo pode liberar dobro de carbono

Relatório do Pnuma mostra que situação deve piorar a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera

GIOVANA GIRARDI / DOHA, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2012 | 02h00

O permafrost, solo permanentemente congelado que cobre quase um quarto do Hemisfério Norte, está derretendo por conta do aquecimento global, o que pode piorar ainda mais a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera. É o que mostra um relatório divulgado ontem pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

Segundo o trabalho, todo o permafrost, que se estende por países como Rússia, Canadá, China e EUA, contém, na forma de matéria orgânica congelada, 1,7 mil gigatoneladas de carbono, duas vezes mais do que há hoje na atmosfera. Sua liberação pode amplificar significativamente o aquecimento global já esperado.

De acordo com Kevin Schaefer, coordenador do estudo, o que pode ocorrer é um "permafrost carbon feedback". "E uma vez que iniciado, será irreversível. É impossível colocar a matéria orgânica de volta ao permafrost."

Atualmente, a camada de gelo, que chega a ter mais de 2 metros de espessura, já vem apresentando uma redução de tamanho. O derretimento, além do impacto à atmosfera, pode afetar os ecossistemas assim como a infraestrutura construída sobre o gelo.

O anúncio foi feito em meio à realização da 18.ª Conferência do Clima da ONU, no Catar (Doha), onde mais de 190 países discutem como vão lidar com as mudanças climáticas.

Schaefer lembrou que as previsões de aumento da concentração de gases e de temperatura até o final do século apresentadas no último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), de 2007, não consideram as estimativas do Pnuma. Segundo ele, até 2100, 39% das emissões podem vir do derretimento do permafrost. Presente ao evento, Jean-Pascal Van Ypersele, do IPCC, disse que essas emissões estarão contabilizadas nos cenários futuros.

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