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Luiz Horta
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Degustando os corredores e as filas de caixas

Eu sou dos seres humanos que gostam de ir a supermercados e shopping centers, então esta matéria não foi um grande sofrimento. Mesmo assim, foi puxado. Longas filas e calor como principais moléstias. Tais desconfortos, entretanto, foram bem atenuados pela alegria de ver os vinhos muito mais bem tratados que antes. Como as redes de supermercado são grandes, visitei só algumas unidades. O St. Marche da Av. São Gualter, além de climatizado, com luzes indiretas e farta oferta de vinhos de todo tipo, tinha um atendente expert, adequadamente apelidado de Geninho. Ele foi certeiro nas indicações e comentários. O Carrefour da Rua Pamplona tem um estoque impressionante, separado da loja num espaço "Vinhos", com todo aquele ar amadeirado de clube que as pessoas ainda teimam em ligar com a bebida, um "requinte". Apesar dessa ironia, as garrafas estavam muito bem conservadas e o serviço é atencioso. O Pão de Açúcar da Praça Panamericana é mais largadão. As prateleiras de vinhos estão lá no meio de tudo, com a luz intensa que o ar condicionado atenua. A compensação vem pela oferta de um título próprio, Club des Sommeliers, que oferece alguns ótimos produtos de preço adequado. O Walmart corre noutro trilho. É para a compra em quantidade, mas tem a melhor linha de gadgets, adegas climatizadas e afins. O Zaffari, rede gaúcha com uma loja excelente no shopping Bourbon, tem ampla escolha de nacionais. As surpresas são poucas, mas a conservação é louvável.

Luiz Horta,

17 de fevereiro de 2011 | 13h41

 

No vinho do dia a dia, a leitura do rótulo é outra

Novo Mundo, vinho jovem. Os vinhos de guarda, que aguentam muitos anos, raramente são do Novo Mundo. Os chilenos vendidos em supermercado devem ter no máximo 5 anos de idade. Os brasileiros são melhores se consumidos em 2 anos. E os argentinos tintos aguentam bem 3 anos. Quanto aos do Velho Mundo há exceções, mas fique atento: vinhos com idade estão de pé ali todo esse tempo. Por melhor que seja a climatização do expositor, as condições sempre estão longe das ideais

O que interessa é a idade. Aqui o ano indicado no rótulo importa não pela safra e suas condições climáticas, mas como indicador da idade do vinho. Alguns vinhos resistem melhor, caso da maioria dos tintos, mas lembre-se que a garrafa está lá, de pé, todos aqueles anos

Brancas e tintas têm durabilidade diferente. A maioria das uvas brancas, sem uso de madeira, como Sauvignon, Chardonnay e Torrontés, resultam em vinhos que são melhores se consumidos jovens. Quanto mais novos, melhor.Se a garrafa tem mais de 2 anos, desconfie. Tintas como Gamay, Malbec e Pinot sul-americana devem ser consumidas em até 3 anos. As mais resistentes, Cabernet Sauvignon, Syrah, Merlot, Carmenère e Tempranillo, aguentam até 5 anos na prateleira

Álcool não melhora o vinho. Ao contrário do que pode parecer, teor alcoólico elevado não favorece a evolução nem aumenta a vida do vinho (o que conta nos dois casos é a acidez). Os vinhos muito alcoólicos devem ser evitados, por serem desequilibrados. Tintos até 14% e brancos até 12,5% são o ideal

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