'Delações visam liberdade a qualquer custo', diz ex-tesoureiro da campanha de Dilma

Hoje prefeito de Araraquara (SP), Edinho Silva rechaçou a afirmação de que houve caixa 2 na campanha, feita por diversos delatores, entre eles o casal de marqueteiros João Santana e Mônica Moura na semana passada

Daiene Cardoso, Agência Estado

15 Maio 2017 | 19h50


Brasília - Ex-tesoureiro da campanha presidencial de Dilma Rousseff em 2014, Edinho Silva rebateu, nesta segunda-feira, 15, o relato dos marqueteiros João Santana e Mônica Moura e disse que as delações premiadas são feitas para que os delatores alcancem a liberdade. "As delações são feitas num ambiente em que o delator quer a liberdade a qualquer custo", disse.

Edinho foi ministro da Secretaria de Comunicação e hoje é prefeito de Araraquara, no interior de São Paulo. Responsável pela contabilidade da campanha presidencial petista, Edinho rechaçou a acusação de que houve caixa 2 na campanha, afirmou que os pagamentos aconteceram de forma lícita, por meio de transferência bancária.

Ao total, segundo o ex-tesoureiro, foram R$ 70 milhões pagos aos marqueteiros, valor que ele classificou na época de "absurdo". O prefeito condenou o ambiente de desespero que permeia as delações e afirmou que o momento é de se apresentar as provas. "Agora tem de ter de ter a materialidade", cobrou.

Edinho participa de um evento no plenário da Câmara dos Deputados que discute a situação financeira dos municípios brasileiros. O petista evitou comentar a possibilidade de delação premiada do ex-ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci. "Precisa ver se ele vai fazer a delação", respondeu.

Sobre o depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao juiz Sérgio Moro, na semana passada, Edinho concluiu que o líder petista foi "muito transparente". "Ele fez o que é possível num depoimento", disse.

Saída política. O ex-tesoureiro manifestou preocupação com o momento político do País, apontou o "esfacelamento das instituições" e defendeu que as principais lideranças políticas façam um pacto pela democracia para dar "tranquilidade institucional". "Tem de ter uma saída no campo da democracia", pregou.

Na opinião do petista, "todos os partidos estão no fundo do poço" e precisam dialogar. De acordo com Edinho, o ex-presidente Lula está disposto a esse diálogo. "As alternativas que emergem são no campo do autoritarismo", observou. Neste cenário de crise política, afirmou Edinho, a economia não terá chances de retomar o crescimento. "Não há reforma que faça a economia retomar se não construirmos uma saída política", afirmou. 

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