Delegação de Honduras vem ao país negociar empréstimos com BNDES

Uma delegação de ministros e empresários de Honduras, liderada pelo chanceler Arturo Corrales, se reuniu na manhã desta terça-feira com o ministro da Indústria e Comércio brasileiro, Fernando Pimentel, para negociar financiamento do BNDES para obras de infraestrutura no país e compra de caças e equipamentos que podem chegar a 1 bilhão de dólares.

ANA FLOR, REUTERS

07 Fevereiro 2012 | 18h19

É a primeira vez que um grupo de seis ministros, além de parlamentares e empresários, vem ao Brasil para uma visita oficial desde a crise de 2009, quando o ex-presidente Manuel Zelaya, expulso do país em um golpe de Estado militar, se refugiou na embaixada brasileira em Tegucigalpa.

Segundo assessores da embaixada de Honduras no Brasil, a vinda do chanceler ao país "inicia uma nova e frutífera etapa" nas relações entre as duas nações.

A comitiva negocia a construção de duas hidrelétricas e um canal seco que faria a ligação rodoviária entre portos no Atlântico e no Pacífico. As obras serão realizadas por empreiteiras brasileiras.

Segundo um assessor do MDIC, que falou sob condição de anonimato, o governo de Honduras afirmou ainda, na reunião com Pimentel, ter interesse em comprar um lote de caças Super Tucano, da Embraer e máquinas agrícolas. A embaixada confirmou que o grupo, que fica no Brasil até quinta-feira, irá visitar a sede da Embraer, em São José dos Campos.

EMPREITEIRAS BRASILEIRAS

Entre as obras em negociação estão as hidrelétricas de Los Llanitos e Jicatuuyo, já contratadas com a Odebrecht. Segundo a empresa brasileira, o estudo de viabilidade será concluído nas próximas semanas. Los Llanitos havia sido aprovada antes da crise de 2009, mas o processo foi paralisado com o golpe militar.

O governo do país quer ainda retomar o projeto da represa de San Fernando, para abastecimento de água da região da capital, Tegucigalpa, e que está estimado em 600 milhões de dólares. Segundo a fonte do MDIC, há um pedido de empréstimo de 271 milhões de dólares ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a obra, a ser realizada pela Andrade Gutierrez.

Já o canal seco, a ser realizado por um consórcio entre OAS e Queiroz Galvão, teria um custo de 219 milhões de dólares -com um aporte estimado de 145 milhões do BNDES.

"É importante normalizar as relações com o Brasil, pois é um país importante na região e seria vital conseguir o financiamento para os projetos hidrelétricos de Los Llanitos e Jicatuyo, que nos permitirão avançar na mudança de nossa matriz energética para fontes renováveis", afirmou à Reuters Benjamín Bográn, executivo do Conselho Hondurenho da Empresa Privada (COHEP).

O principal interesse do Brasil, segundo a fonte do MDIC, seria exportar serviços e equipamentos necessários para as obras.

DIPLOMACIA

Nesta quarta-feira, a delegação hondurenha será recebida pelo chanceler brasileiro Antonio Patriota, no Itamaraty. Está previsto ainda um encontro com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

Segundo um alto funcionário da embaixada, a visita oficial é uma preparação para a vinda do presidente de Honduras, Porfírio Lobo, que tomou posse em 2010. A vinda de Lobo, que pode ocorrer ainda neste ano, chancelaria a normalização das relações entre os dois países.

Honduras, que devido ao golpe de Estado foi suspenso da Organização dos Estados Americanos (OEA), foi reintegrada à entidade em junho do ano passado.

(Reportagem adicional de Esteban Israel, em São Paulo, e Gustavo Palencia, em Tegucigalpa)

Mais conteúdo sobre:
POLITICAHONDURASDIPLOMACIA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.