Delegações enfrentam caos no Rio

Principal queixa de integrantes de comitivas internacionais é a falta de funcionários que falem inglês e possam orientá-los na chegada

BRUNO DEIRO , ENVIADO ESPECIAL / RIO , CLARISSA THOMÉ / RIO, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2012 | 03h07

Em um dos dias de maior movimento de chegada de comitivas estrangeiras - cerca de 40 desembarcaram na capital fluminense ontem -, os delegados que vieram participar da Rio+20 tiveram de enfrentar a falta de estrutura no Aeroporto Internacional Tom Jobim. A grande queixa foi a ausência de pessoas que falassem inglês e pudessem repassar informações.

"Chegamos pela manhã e não havia quem falasse inglês. Foi um pouco desagradável", disse um integrante da delegação da Namíbia, que não quis se identificar porque não tinha autorização para dar entrevista. À tarde, a reportagem precisou servir de intérprete para quatro membros da delegação das Ilhas Salomão. Eles precisavam pegar um táxi e o funcionário responsável por recepcioná-los não conseguia explicar.

O principal problema é que havia duas saídas de passageiros. No desembarque especial estavam os voluntários da Rio+20, que atendiam as delegações. Os que saíam pelo desembarque convencional, porém, ficavam perdidos. "Houve um engano com alguns integrantes da delegação da Angola e eles foram parar em Niterói, mas foi a própria embaixada que veio buscá-los", afirmou um policial. A movimentação de delegações não atrapalhou o desembarque normal.

Durante todo o dia a Linha Vermelha, principal via para deixar o aeroporto, ficou engarrafada. A lentidão do trânsito na saída do Tom Jobim fez com que algumas comitivas que chegaram para participar da Rio+20 preferissem esperar nas salas VIPs do terminal até o fluxo se normalizar.

Enquanto uma faixa exclusiva garantia a saída rápida para os chefes de Estado, os demais integrantes das delegações estão tendo de enfrentar o trânsito.

"Chefe de Estado nenhum aguardou nas salas VIP. Mas as delegações, sim, porque algumas têm (cerca de) 300 pessoas", disse o presidente da Infraero, Gustavo do Vale. "Confesso que não sei como está lá fora, mas os chefes de Estado têm uma saída especial montada pelo Exército Brasileiro". Essa saída é pela Base Aérea do Galeão, sem passar pelo saguão do Tom Jobim.

O dia foi de grande movimentação de delegações a caminho dos hotéis na orla. Embora o trânsito tenha fluído melhor na zona sul, a todo momento vias eram interrompidas por batedores com sirenes ligadas. "A sorte é que eu faço tudo de bicicleta, porque a manhã foi muito complicada entre Copacabana e Ipanema", disse Margareth Japp, de 50 anos, que mora próximo ao Hotel Fasano.

No hotel, que recebe a delegação russa, agentes da Polícia Federal e do Exército fizeram uma varredura. Os policiais federais chegaram com dois cães da raça pastor belga malinois treinados para farejar explosivos. Nos quartos do estabelecimento, a equipe do Exército usava um equipamento para rastrear artefatos explosivos.

Além da movimentação de chegada de chefes de Estado, havia também comboios para acompanhar as autoridades que estavam a passeio. A comitiva de Montenegro, hospedada no Leme Othon Palace, parou o trânsito em Copacabana - os carros dos integrantes da delegação eram precedidos por batedores da Polícia Rodoviária Federal e acompanhados ainda por seguranças particulares. O local do passeio foi mantido em sigilo.

Está prevista para hoje a chegada de cem delegações. O presidente francês, François Hollande, é esperado bem cedo no Sofitel, em Copacabana. As comitivas de Estados Unidos, Índia e Alemanha chegam a partir das 6h30 no Windsor Atlântica.

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