Delegado da divisão anti-seqüestro sofre atentado no Rio

O delegado-adjunto da Divisão anti-seqüestro (DAS) da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Alexandre Neto, sofreu um atentado. Ele foi atingido por cinco tiros na porta do edifício onde mora, na Rua Constante Ramos, em Copacabana, zona Sul do Rio, um dia depois de o delegado-chefe da DAS, Fernando Moraes, ter sido baleado numa operação policial.Internado num hospital particular da zona Norte, o delegado não corre risco de morrer. Alexandre Neto é o policial que teve o assassinato sugerido numa ligação telefônica interceptada em outubro do ano passado pela Polícia Federal, na Operação Gladiador.Na conversa, um inspetor investigado se queixava de um dossiê atribuído a Neto sobre o envolvimento do ex-chefe de Polícia Civil Álvaro Lins e de um grupo de policiais com a máfia dos caça-níqueis. A investigadora Marina Maggessi chegou a sugerir, na ocasião, que o assunto fosse resolvido com "um monte de tiros nos cornos dele". Mas a hoje deputada Marina reiterou que usou apenas de uma força de expressão. "Ele tem um monte de inimigos. Qualquer um pode ter feito isso, aproveitando-se da minha celeuma pública com ele para botar na minha conta. O melhor é que ele não morreu e poderá ajudar nas investigações. Além disso, ele está lotado na delegacia que tem a melhor equipe do Rio. Eles vão conseguir esclarecer esse atentado", afirmou a deputada.No momento do ataque, Neto estava no carro descaracterizado da Polícia Civil, segundo informações de policiais militares. O veículo estava estacionado em frente ao edifício onde ele mora. O delegado pegava objetos no carro, quando um outro carro parou à sua frente, fechando a passagem, e o motorista disparou contra o pára-brisa. Instintivamente, Neto ficou de lado e encolheu-se, para se proteger. Oito tiros de pistola PT 380 perfuraram o vidro do carro. Cinco deles atingiram o delegado do lado direito do corpo: dois na mão, um no ombro, um no braço e outro no antebraço. Um amigo o socorreu. No fim da tarde, ele foi submetido a uma cirurgia reparadora ortopédica na mão. Um dos dedos foi dilacerado.A Rua Constante Ramos estava movimentada no momento do atentado, por volta das 13 horas. O edifício tem um bar no térreo, que estava cheio. Apesar disso, a polícia teve dificuldades para localizar testemunhas - com medo, freqüentadores do bar e vizinhos se recusaram a falar. A placa do carro não foi anotada e havia, ainda, dúvidas sobre a cor e o tipo do veículo.Policiais e delegados de quatro delegacias apresentaram-se voluntariamente para ajudar nas investigações. O registro foi feito em uma das delegacias de Copacabana, mas o chefe da Polícia Civil, delegado Gilberto Ribeiro, determinou abertura imediata de um inquérito pela Delegacia de Homicídios, que concentrará todas as informações levantadas.O delegado Fernando Moraes - apesar dos ferimentos dos estilhaços da bala de que foi alvo no estouro do cativeiro de um empresário na Baixada Fluminense no sábado - esteve no hospital onde o colega estava sendo operado. Neto presidiu o inquérito que culminou na operação de sábado, mas policiais da DAS não acreditam que o atentado tenha relação com a solução do seqüestro.Moraes lembrou que o delegado é conhecido por sua atuação contra a corrupção policial. Ele também ponderou que Neto está à frente de várias investigações importantes, entre elas a do seqüestro de um traficante da Mangueira que teria sido praticado por policiais. Embora não descarte nenhuma hipótese, o chefe da DAS demonstrou suspeitar que a motivação do crime esteja na divisão interna da polícia e disse que a investigação partirá das denúncias de Neto."Essa pequena banda podre da polícia, por assim dizer, não vai interferir no nosso trabalho. A banda podre tem que perder. A banda boa vai ganhar, pode ter certeza", disse Moraes. Amigo de Neto, o secretário do sindicato dos delegados do Rio, Vinícius George, foi na mesma linha: "Alexandre teve coragem de enfrentar situações que muita gente tolerava e até participava. É uma possibilidade que isso tenha servido de motivação para o crime."

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