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Delegado diz que milícia usava estrutura do Estado no RJ

Durante a gestão do ex-chefe de Polícia Allan Turnowski, a milícia formada por policiais com influência na cúpula da instituição foi o primeiro grupo paramilitar a usar a estrutura do Estado, em operações policiais oficiais, para tentar eliminar traficantes de favelas e estabelecer a atuação dos grupos paramilitares.

PEDRO DANTAS, Agência Estado

17 de fevereiro de 2011 | 19h27

A constatação é do delegado Alexandre Capote, da Delegacia de Repressão às Atividades Criminosas (Draco). "Antes, o miliciano usava isoladamente a arma e o distintivo do Estado para se estabelecer em uma comunidade. Ainda não tínhamos registro de uma milícia capaz de usar o aparato do Estado para tomar uma favela", disse o delegado.

Segundo ele, a promiscuidade entre milicianos e traficantes já não era novidade. Em dezembro de 2010, em uma operação comandada por ele, a Draco desarticulou uma milícia que atuava em Duque de Caxias, ligada ao vereador Jonas Gonçalves da Silva, o "Jonas é Nós", que também foi preso. Na ocasião, a investigação constatou que a quadrilha vendia rotineiramente armas para traficantes do Complexo do Alemão.

O uso por milicianos e até traficantes do aparato bélico do Estado para tomar favelas também não era inédito. Desde 2007, a ONG Justiça Global denuncia que policiais alugam blindados para diferentes facções de traficantes nas invasões para tomar bocas de fumo de quadrilhas rivais. Este foi o caso da invasão à Vila dos Pinheiros por traficantes da Baixa do Sapateiro, no Complexo da Maré, em maio de 2009. De acordo com a denúncia entregue à Secretaria de Segurança Pública, os criminosos alugaram o blindado por até R$ 120 mil.

Em depoimento à Corregedoria Interna da Polícia Civil, na última segunda-feira, o delegado titular da Draco, Claudio Ferraz, revelou um diálogo captado em uma interceptação telefônica autorizada pela Justiça em que o sargento da PM Julio Cesar Fialho, que seria ligado à milícia Águia do Mirra, combina com outro miliciano uma operação da Polícia Civil na Favela da Coreia, com dois blindados e um helicóptero. Os diálogos foram revelados pelo jornal Extra. Procurada hoje, a Secretaria de Segurança informou apenas que "todos os documentos recebidos com carimbo de confidencial são encaminhados à Subsecretaria de Inteligência e devem ser divulgados".

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