Delegado do Rio diz que milícia fez plano para matá-lo

Decisão teria sido tomada depois da prisão do deputado Natalino Guimarães (DEM), acusado de chefiar quadrilha

TALITA FIGUEIREDO, Agencia Estado

25 Julho 2008 | 19h30

O delegado-titular da 35ª Delegacia de Polícia, Marcus Neves, afirmou nesta sexta-feira, 25, que integrantes da milícia autodenominada "Liga da Justiça", que atua em comunidades pobres da zona oeste, resolveram contratar um pistoleiro em outro Estado para assassiná-lo. A decisão teria sido tomada dois dias depois da prisão do deputado Natalino Guimarães (DEM) na madrugada de terça-feira, 22, sob a acusação de chefiar a quadrilha. A operação foi chefiada por Neves.  Segundo o policial, um grupo de milicianos comandados por seu sobrinho Luciano Guinâncio Guimarães se reuniu em uma casa em Cosmos (zona oeste) e combinaram pagar R$ 1 milhão para contratar o assassino fora do Rio de Janeiro, para dificultar as investigações posteriores ao crime. "Isso não me preocupa, serve de estímulo para continuarmos prendendo os integrantes do bando", afirmou o delegado, que anda com seguranças armados.  Luciano é filho do vereador Jerônimo Guimarães (PMDB), preso desde dezembro sob a mesma acusação do irmão, e seria o braço armado da quadrilha. Ele é ex-policial militar e foragido da Justiça, que expediu mandado de prisão contra ela por três homicídios.  O delegado disse que o ex-policial anda fortemente armado e cercado por seus seguranças, entre eles Leandro Paixão Viegas, o Leandrinho "Quebra-Ossos". Leandro e Luciano são dois dos 43 suspeitos que serão indiciados pelo delegado no inquérito que apura a atuação da Liga da Justiça em comunidades de Campo Grande. A maior parte dos denúnciados é de PMs, três são policiais civis, um é bombeiro e dois são agentes penitenciários.  Diariamente, o delegado recebe denúncias anônimas na delegacia, com informações de mais nomes de envolvidos na quadrilha, nomes de firmas envolvidas com a venda gás superfaturado e da venda de sinal clandestino de TV a cabo.  A polícia deve pedir esta semana a prisão do policial civil Leonardo Moreira Dias, cuja pistola foi encontrada dentro de um carro abandonado durante a fuga de parte dos homens que estava reunido com o deputado estadual, quando ele foi preso.  Carro clonado  Neves disse que vai investigar a procedência de um Gol clonado com as características de um carro da Polícia Civil, modelo usado no Pan, e a possibilidade de esse carro ter sido usado no desaparecimento da ambulante chinesa Ye Guoe, de 35 anos, na semana passada.  O carro foi encontrado por policiais militares do serviço reservado do 27º Batalhão de Polícia Militar na favela da Carobinha, em Campo Grande, que seria comandada pela Liga da Justiça.  A chinesa teria sido levada, segundo o motorista do táxi que ela pegou num shopping na Barra da Tijuca (zona oeste), por quatro homens que se identificaram como policiais civis. Eles estavam em um carro semelhante ao encontrado. Em depoimento, o marido dela, Chen Chien Hou, disse que ela teria ido a uma agência de câmbio trocar R$ 220 mil por US$ 130 mil.  Depois, o advogado Danilo Santos, contratado por ele, negou que ela teria ido trocar dinheiro. O delgado Rafael Willis, da 16ª Delegacia de Polícia, investiga a veracidade das informações na tentativa de encontrar a chinesa.

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