Delegado que recuperou telas do Masp é preso

Marcelo Teixeira Lima está entre os acusados de sequestrar, achacar e roubar um traficante ligado ao PCC

Bruno Tavares, de O Estado de S. Paulo,

21 Janeiro 2009 | 08h48

A Justiça decretou na terça-feira, 20, a prisão temporária, por 30 dias, de mais três policiais do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) acusados de sequestrar, achacar e roubar um traficante ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) em Peruíbe, no litoral paulista. Entre os detidos está o delegado Marcelo Teixeira Lima, um dos responsáveis por recuperar as telas de Picasso e Di Cavalcanti furtadas do Museu de Arte de São Paulo (Masp) em 2007. No dia 10, a Justiça já havia decretado as prisões de outros três investigadores do Deic, mas até terça apenas um deles - José Antonio Leite Lopes - havia sido capturado.   A Secretaria da Segurança Pública informou na ocasião que os outros dois - Sérgio José da Silva e Sílvio Alexander de Barros - não tinham sido localizados, pois estavam em férias. Ontem, segundo a pasta, foram presos o delegado Lima e o investigador Christian Tadeu Vicchietti. O terceiro acusado, o também investigador André Luiz Gomes de Souza, permanecia foragido até as 23 horas.   O pedido de prisão do delegado já havia sido feito pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Santos, mas acabou indeferido. No recurso, o promotor Cássio Conserino alegou que Lima tinha conhecimento de que policiais sob seu comando haviam se dirigido até Peruíbe para apurar uma denúncia anônima de tráfico de drogas, o que não faz parte das atribuições da Delegacia de Repressão ao Furto de Fios. Mostrou ainda que, em 2000, o delegado teve seu nome envolvido em denúncias de tráfico de drogas, durante a CPI do Narcotráfico na Assembleia Legislativa - Lima sempre negou as acusações.   A prisão de Lima ocorreu às 17h30 de ontem, na sede do Deic, na zona norte. Depois de ser informado do mandado de prisão, o delegado foi conduzido à corregedoria, sem algemas, no carro de um amigo, também delegado do Deic.   Sequestro   Em 30 de setembro, seis policiais do Deic estiveram em Peruíbe, onde teriam abordado Paulo César Ferreira Souza, o Pulina, apontado como o chefe do tráfico na cidade. Num depósito usado por ele, os investigadores teriam subtraído pelo menos 100 quilos de entorpecentes. Em vez de prender o criminoso procurado, os investigadores o teriam sequestrado e passado a exigir R$ 200 mil para libertá-lo. O traficante, porém, era monitorado pelo Departamento de Investigações Sobre Narcóticos (Denarc). Toda a negociação entre ele e os policiais foi interceptada e repassada ao Gaeco. "Eles deveriam combater o crime e não achacar um traficante. Isso é inaceitável", disse o promotor.   Pulina foi preso pela Polícia Militar na antevéspera do Natal. Em depoimento, ele confirmou a extorsão - disse ter dado R$ 50 mil a policiais do Deic. Dois meses depois de supostamente terem libertado o criminoso, os investigadores fizeram um inquérito em que só mencionavam apreensão da droga - quantidade inferior à encontrada, segundo o Gaeco -, sem relacioná-la ao traficante.

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