Deliciosas manias de viradeiras

Em Cambuí, toda família tem a sua viradeira oficial - a mãe, irmã, mulher, tia ou avó. E cada viradeira tem seu jeito de preparar o doce. Umas deixam para colocar o queijo no final. Outras usam manteiga no lugar do óleo e acrescentam um pouco de leite e uma pitada de canela.

Cristiana Menichelli ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

29 Julho 2010 | 02h27

Todas porém, concordam que a melhor banana para o doce é a nanica madura, quase passando do ponto - senão amarra na boca e deixa o doce seco demais. Unânime é o acompanhamento ideal para o virado: uma xícara de café.

O virado da foto foi preparado a quatro mãos, o que gerou algumas discussões. Dona Maria Sebastiana dos Santos nasceu no interior paulista e faz virado desde 1949, desde que mudou-se para Cambuí. Dedé Fanucci é cambuiense, psicóloga e apaixonada por cozinha. O virado de banana é uma de suas especialidades, Ingredientes separados, panela no fogo, tudo corria bem até o momento de acrescentar o queijo. "Por que não corta em pedaços menores?", propôs dona Maria. Dedé aceitou a sugestão porque "o importante é ele ficar puxa-puxa". Na hora da farinha outra divergência. "Esmigalho a farinha de milho com a mão para deixar fininha", explica Maria. Mas dessa vez a amiga foi irredutível. "Deixo a farinha como está, fica muito bom assim também."

O resultado? Sabor da banana realçado, textura elástica o toque áspero da farinha. Um detalhe importante que talvez explique porque o doce não é vendido fora de casa: o virado tem de ser servido quente, da panela para o prato, ou fica duro, sem graça. / C.M.

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