Demanda é crescente

Agricultores que processam alimentos confirmam, mas alertam que industrializar requer aptidão

O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2007 | 04h19

Para quem acumula alguns anos de experiência na industrialização de produtos orgânicos, a tendência de verticalização não é novidade. ''''Isso mostra o amadurecimento do setor'''', diz o produtor Ricardo Schiavinato, de Serra Negra (SP). Sua atividade principal é o leite orgânico, que ele comercializa em forma de manteiga, queijos, doce de leite, ricota, requeijão e iogurte. ''''Há várias vantagens, além da financeira. Sou totalmente a favor da pequena agroindústria.''''Nos últimos anos, a demanda pelos industrializados cresceu e Schiavinato investiu na ampliação da miniusina. Incrementou também o mix de produtos, com geléia de morango e tomate seco orgânicos. ''''Consegui atingir um mercado maior justamente porque tenho mais produtos para oferecer'''', diz.Mas ele alerta: ''''O produtor tem de encarar a produção de processados como uma nova atividade. Não é uma mina de ganhar dinheiro.''''O produtor Luciano Gambarini, da Jatobá Produtos Agroecológicos, concorda. ''''Trabalhar com processamento é outro nível. A gente tem de cumprir uma gama enorme de exigências. É preciso ter uma certa aptidão'''', acredita. Em sua propriedade, em Inconfidentes (MG), o processamento da produção começou em 1995, quando o mercado de orgânicos ainda era restrito. ''''O comércio melhorou muito nos últimos quatro anos. Talvez porque o consumidor passou a ter mais acesso à informação e a querer este tipo de produto, mais saudável'''', avalia.E foi nesta época que começou a investir mais na industrialização. ''''Construímos uma cozinha industrial e compramos equipamentos maiores, para ampliar a capacidade de produção.'''' Para garantir a qualidade, todos os ingredientes usados na fabricação dos produtos são cultivados na propriedade. Hoje, a lista de produtos da Jatobá é grande. O principal é o tomate, que é vendido em polpa, molho (clássico, tradicional, manjericão e azeitona), suco e catchup (original e picante).

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