Demanda pelo produto cai em vários Estados

Sinalizada por pesquisas de comportamento, a tendência na redução de consumo de camisinhas é comprovada pela movimentação dos estoques públicos do País.

Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo

10 Junho 2011 | 00h00

"É inegável a queda da demanda. Algo que nos preocupa e que nos faz perguntar se não está no momento de se rever as estratégias de prevenção", afirma o coordenador do Programa de DST-Aids do Rio Grande do Sul, Ricardo Charão. O Estado recebeu, no ano passado, 17,7 milhões de preservativos. Em 2009, foram 26,9 milhões.

No Maranhão, a situação foi semelhante. Recebeu em 2010 do governo federal 19,2 milhões de preservativos, 20 milhões a menos do que havia sido encaminhado no ano anterior. "Não fez falta. Tínhamos camisinhas sobrando nos estoques", conta a coordenadora do Programa de Aids do Estado, Osvaldina Mota.

O mesmo se repetiu no Paraná. "O que foi enviado atendeu às necessidades", diz Francisco Carlos dos Santos, técnico da divisão de aids do Estado.

Todos observam, porém, que a redução da demanda em nenhum momento provocou uma reação do Ministério da Saúde.

"Não houve questionamentos. De fato, essa é uma coisa para se perguntar: será que a estratégia não está sendo suficiente?", pergunta Santos.

Osvaldina afirma que a oferta dos preservativos nos postos segue recomendações do ministério. É feita sem burocracia e sem exigir nenhum tipo de informação de quem vai em busca do produto.

"Precisamos aumentar o programa de saúde nas escolas, acelerar a implantação. Isso certamente pode ajudar a mostrar aos jovens a necessidade do uso de preservativos em todas as relações", avalia.

Para Márcia de Ávila Berni Leão, da coordenação de Fórum de Aids de ONGs no Rio Grande do Sul, a explicação para a diminuição do uso está clara: houve uma redução importante de projetos de prevenção desenvolvidos com organizações não governamentais.

"Camisinha nos postos de saúde ajudam, mas é preciso muito mais. São necessárias ações que mobilizem, que empolguem, principalmente jovens", diz ela. Algo que, em sua avaliação, foi perdido depois da redução dos projetos com organizações.

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