Demanda por citros é baixa

Mesmo em pleno pico de safra e com redução de 15% na produção, preço não reage; indústria culpa mercado externo

O Estado de S.Paulo

12 Novembro 2008 | 02h23

A retração na demanda por parte das indústrias processadoras de citros está pressionando os preços no mercado paulista. Segundo os técnicos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), a retração é atípica para esta época do ano, se for levado em conta que o período de outubro a novembro, tradicionalmente, é o pico da safra paulista e que, na atual temporada, a produção deve ser 15% menor do que na safra passada.Os técnicos comentam que a falta de interesse é maior no mercado spot, sem contrato. "A indústria tem resistido em receber até mesmo a fruta de contrato, limitando a pequenos volumes o recebimento das variedades pêra, lima e valência, as mais entregues para processamento."De acordo com os técnicos, as justificativas da indústria até o momento são que o "ratio" da fruta (relação entre sólidos solúveis e teor de ácido cítrico) ainda está baixo e a demanda externa é incerta. Os técnicos dizem que os produtores confirmam que parte das frutas ainda não atingiu o ponto ideal de maturação.Em relação às exportações, além dos elevados estoques norte-americanos e dos engarrafadores europeus, o setor também sofre o impacto da crise econômica global. Os técnicos citam como outro obstáculo enfrentado pelo citricultor a reduzida disponibilidade de caminhões para transportar a fruta para a indústria. Diante da dificuldade de escoamento, a oferta no mercado doméstico segue elevada. A demanda pela fruta de mesa, porém, é insuficiente para absorver os altos volumes disponíveis, dizem os técnicos.

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