Demanda por prefixado sobe e dívida interna cresce 1%

A expectativa de investidores de que o Banco Central iria interromper o ciclo de aperto monetário aumentou a demanda por títulos prefixados em agosto, contribuindo para elevar as emissões da dívida pública federal ao maior nível em mais de três anos.

ISABEL VERSIANI, REUTERS

23 de setembro de 2010 | 17h40

No mês, segundo os dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta quinta-feira, a participação de estrangeiros na dívida pública voltou a subir e ultrapassou 10 por cento do total pela primeira vez na história.

A venda total de títulos em ofertas públicas somou 43,1 bilhões de reais em agosto, maior nível desde junho de 2007. Do total vendido, 62 por cento eram papéis prefixados, cuja rentabilidade é definida no momento da compra.

O BC manteve o juro básico do país em 10,75 por cento ao ano no início de setembro, após três altas consecutivas.

"Durante agosto, foi se desenvolvendo no mercado crescente sensação de que o Banco Central ia interromper o aumento de juros, o que elevou a demanda por prefixados", afirmou a jornalistas o coordenador-geral da dívida, Fernando Garrido.

"Em setembro a demanda foi boa, mas acredito que não devemos manter os mesmos níveis observados em agosto."

A dívida pública federal interna cresceu 1,03 por cento no mês passado, para 1,525 trilhão de reais. A variação decorreu de uma emissão líquida de 2,36 bilhões de reais em títulos no mercado doméstico, aliada à apropriação de juros no valor de 13,13 bilhões de reais.

A parcela da dívida prefixada aumentou de 34,13 por cento em julho para 36,05 por cento em agosto.

Os papéis corrigidos pela Selic passaram de 34,24 por cento do total a 34,34 por cento no mesmo período, enquanto os títulos atrelados a índice de preços caíram de 29,91 por cento a 27,98 por cento.

Em agosto, a dívida pública federal externa aumentou 1,35 por cento, a 93,5 bilhões de reais, levando a dívida total a 1,618 trilhão de reais.

ESTRANGEIROS

A participação dos estrageiros na dívida pública interna somou 10,06 por cento em agosto, nível recorde.

Garrido destacou que, ao contrário do que ocorria antes da crise financeira de 2008/2009, quando hedge funds respondiam pela maior parte das aplicações de estrangeiros em renda fixa no país, o perfil dos investidores atualmente é muito mais diversificado.

Segundo ele, fundos de pensão norte-americanos e europeus, seguradoras, investidores asiáticos e fundos de pensão do Oriente Médio e do Sudeste Asiático estão atualmente entre os investidores que detêm "proporção significativa" dos títulos de longo prazo brasileiros.

Entre os papéis prefixados de longo prazo, a estimativa é de que a participação dos estrangeiros esteja em torno de 50 por cento. Nos títulos atrelados a índices de preços, o peso é de "10 ou 15 por cento", segundo Garrido.

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