Demissões na Embraer continuam, diz sindicato

Cálculo são de pelo menos mais 600 cortes após as 4,2 mil demissões feitas em janeiro

Michelly Chaves Teixeira, O Estadao de S.Paulo

27 de novembro de 2009 | 00h00

Depois de demitir 4,2 mil trabalhadores no começo deste ano - o maior corte de pessoal realizado por uma empresa brasileira na crise -, a Embraer já mandou embora outros 600 metalúrgicos de sua fábrica em São José dos Campos (SP), segundo levantamento do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos.

O balanço não considera o corte do começo do ano feito em todas as unidades da empresa. Segundo o sindicato, que fez seu levantamento com base nos pedidos de homologação entre janeiro e novembro, "somente nesta semana a Embraer já pediu o agendamento de 50 a 70 homologações".

A entidade calcula que, se forem consideradas as demissões de outras categorias, como engenheiros e funcionários administrativos, o número de demitidos pode ser ainda maior. De acordo com o sindicato, a Embraer possui cerca de 11,7 mil trabalhadores em sua fábrica em São José dos Campos.

O sindicato protocolou ontem uma carta pedindo que seja marcada uma reunião com o presidente da Embraer, Frederico Curado, para discussão sobre a manutenção de postos de trabalho e redução da jornada sem redução de salário e sem banco de horas.

Procurada pela reportagem da Agência Estado, a Embraer informou, por meio da assessoria de imprensa, que não havia representantes para comentar o assunto. A fabricante não confirmou nem desmentiu as 600 demissões.

No começo deste ano, o Sindicato fez vários alertas sobre a demissão em massa que estava sendo feita pela companhia. Na ocasião, a Embraer levou algum tempo para confirmar e divulgar os cortes.

RECUPERAÇÃO LENTA

Há alguns meses, o presidente da Embraer disse em entrevista que o pior da crise já havia passado, mas que o setor não se recuperaria antes de 2011. Na apresentação dos resultados do primeiro semestre, em agosto deste ano, a previsão da companhia era de queda de US$ 800 milhões de receita em 2009 - de US$ 6,3 bilhões para US$ 5,5 bilhões. Com o cancelamento de entregas, o ritmo da produção caiu 30% em relação ao ano passado. Só no primeiro semestre, foram 27 cancelamentos.

Para o ano, a empresa previa a entrega de 242 aeronaves, 38 a mais do que no ano passado. No entanto, a expectativa era de queda nas entregas de aviões de grande porte - portanto, mais caros - e de aumento no número de jatos pequenos.

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