Demolição da Renascer inicia nesta sexta e será manual

Sob risco das paredes caírem sobre as casas vizinhas, será necessário que operários derrubem 'tijolo por tijolo'

Da Redação, Agência Estado

22 Janeiro 2009 | 07h34

A demolição da sede internacional da Igreja Renascer, atingida por um desabamento que deixou nove mortos e 106 feridos no domingo, deverá começar na sexta-feira, 23. A data foi acertada na tarde da quarta-feira, 21, durante audiência entre a Promotoria de Habitação e Urbanismo do Ministério Público Estadual (MPE) e representantes da Igreja e da Subprefeitura da Sé.   Veja também: Hernandes pedem dinheiro para novo templo São Paulo tem igrejas até em cima de borracharia Igreja Renascer divulga lista das vítimas do desabamento  Galeria de fotos: imagens do local e do resgate às vítimas  Todas as notícias sobre o desabamento na Igreja Renascer       A previsão inicial era que os trabalhos começassem nesta quinta, mas os planos foram alterados após avaliação de técnicos da empresa Diez Demolidora, contratada pela Renascer. Como há risco de as paredes desabarem sobre casas vizinhas, será preciso fazer uma demolição manual. A ideia é usar um guindaste para içar um operário até o topo da parede e derrubá-la "tijolo por tijolo". Por exigência da promotora Mabel Tucunduva, a demolição deve ser acompanhada por um engenheiro.   Há ainda alguns entraves. O guindaste, por exemplo, está em Mauá, na Grande São Paulo, e é preciso uma autorização da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) para que ele seja trazido. Além disso, a entrada dos operários deve ser liberada pela Polícia Civil, uma vez que os peritos do Instituto de Criminalística (IC) ainda não conseguiram recolher provas, como fragmentos da estrutura de sustentação de telhado do templo. Outra preocupação do é com a poeira das telhas de amianto. Embora proibido, o material tóxico foi utilizado na última reforma do telhado, no ano passado. "O que interessa agora é que os moradores voltem o mais rápido possível para as casas e que não haja prejuízo para o bairro", disse a promotora. Oito residências estão interditadas.   Nem Mabel nem o advogado da Renascer, Roberto Ribeiro Júnior, souberam dizer quanto tempo deverá durar a demolição. A promotora de Habitação exigiu da Igreja o compromisso de que não realizará cultos em locais sem licença da Prefeitura. O objetivo é evitar o que ocorreu em 1999, quando a sede da Renascer foi interditada pela primeira vez. Na ocasião, foram montadas tendas, sem infraestrutura para receber os fiéis. Nesta tarde, Mabel vai ouvir o diretor do Departamento de Controle de Uso de Imóveis (Contru), Vagner Pasotti, para saber como se deu o processo de revalidação do alvará da Renascer e esclarecer a informação de que os bombeiros não deram aval sobre a segurança do templo.   Segundo levantamento da Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, pelo menos 313 multas foram expedidas contra igrejas de janeiro 2005 até quarta. Em 18 das 31 subprefeituras, 41 igrejas foram fechadas pelos fiscais no mesmo período por falta de alvará.

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