Dengue ameaça 4,6 milhões no verão

Levantamento do Ministério da Saúde mostra que 48 cidades têm alto índice de infestação do mosquito transmissor da doença, o dobro de 2010

LÍGIA FORMENTI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2011 | 03h04

Cerca de 4,6 milhões de brasileiros vivem em áreas sob risco de epidemia de dengue neste verão no Brasil. Levantamento divulgado pelo Ministério da Saúde mostra que 48 cidades apresentam altos índices de infestação do mosquito transmissor da doença, o Aedes aegypti. O número é o dobro do que foi apontado no ano passado e o equivalente a 8,55% do total de 561 municípios analisados. Em 2010, havia 24 cidades de maior risco, o que representava 6,48% do total de 370 localidades pesquisadas.

Esses números, associados à circulação de três sorotipos do vírus (Den 1, Den 2 e Den 4), levam o governo a prever que a transmissão da doença neste verão corre o risco de ser alta.

As áreas classificadas como de alto risco para dengue estão espalhadas em 16 Estados. Entre eles estão as capitais Rio Branco (AC), Porto Velho (RO) e Cuiabá (MT). No Estado de São Paulo, Catanduva recebeu essa classificação.

Chamado de Levantamento de Índice Rápido de Infestação por Aedes aegypti (Liraa), o trabalho foi feito em outubro e novembro pelo ministério, em parceria com secretarias municipais de saúde. Áreas onde menos de 1% dos domicílios visitados apresentavam criadouros do mosquito transmissor eram consideradas em situação satisfatória. Das cidades analisadas, 277 receberam essa classificação.

Aquelas com índice de infestação entre 1% e 3,9% eram consideradas como em situação de alerta. No País, foram 236. Das cidades paulistas, 13 tiveram essa classificação. Na lista ainda estão as capitais Salvador, Recife, Belém, São Luiz e Aracaju.

Os dados mostram que pelo menos 58% das cidades brasileiras analisadas estão em uma situação considerada de risco ou de alerta para dengue. Em 2010, esse porcentual era de 48%.

Ao divulgar os números, o secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, lembrou que medidas simples podem mudar os índices de criadouros existentes no País antes de as chuvas aumentarem no País.

Mas, em alguns locais, deficiências de infraestrutura colaboram para altos indicadores. Na Região Nordeste, por exemplo, 70% dos focos do mosquito se concentram em reservatórios de água - comuns principalmente em áreas com deficiências no abastecimento. No Centro-Oeste, esses criadouros representam 40%.

Recursos. O ministério anunciou este ano o repasse de R$ 90 milhões para qualificação de ações de prevenção da doença em 989 cidades brasileiras, consideradas prioritárias para a dengue. Os municípios selecionados têm de apresentar um termo de adesão com compromisso de adotar medidas adequadas para prevenção e tratamento de doentes. Até novembro, foram identificados 742.364 casos suspeitos de dengue no País.

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