Dengue ameaça 5,7 milhões em áreas de risco de epidemia

Estimativa para o verão tem aumento de 23% em relação a 2011; dos 1.239 municípios avaliados, 77 estão na mira

LÍGIA FORMENTI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

28 Novembro 2012 | 02h07

Aproximadamente 5,7 milhões de pessoas vivem em áreas consideradas de alto risco para epidemia de dengue neste verão. O número é 23% superior ao identificado no ano passado, quando 4,6 milhões residiam em regiões com alto índice de infestação do mosquito transmissor da doença, o Aedes aegypti.

Neste ano, de um total de 1.239 municípios avaliados, 77 foram considerados como de alto risco. Em 2011, de 800 cidades monitoradas, 48 receberam essa classificação, de acordo com o Levantamento de Índice Rápido de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa), apresentado ontem.

"O alerta se mantém. O perigo de uma epidemia da doença persiste", avaliou o secretário de Vigilância do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa. Ao todo, 12 capitais do País estão em situação de risco ou de alerta para a doença.

Ao comentar os números, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, foi cauteloso e não descartou a possibilidade de o País registrar aumento dos criadouros no verão, quando as condições para proliferação do mosquito são melhores. "Esta é uma fotografia. Com aumento das chuvas, as medidas têm de ser redobradas", avisou. O ministro reforçou também a importância de manter a prevenção.

Tradicionalmente, quando há mudanças na administração municipal, a tendência é de descontinuidade das ações. "Isso seria um ataque, um crime contra a saúde", disse.

Padilha lembrou também que há grande número de pessoas suscetíveis à dengue do tipo 4, sorotipo que voltou a circular no País recentemente. Ele observa que, embora esse sorotipo não esteja associado a epidemias explosivas, os cuidados devem ser redobrados. Atualmente, o sorotipo 4 é predominante no País: foi identificado em 63% das amostras de doentes. Em segundo lugar veio o sorotipo 1, encontrado em 32,9% dos testes positivos.

Identificação. Feito em novembro numa parceria com secretarias municipais, o LIRAa identificou neste ano 787 cidades com níveis considerados satisfatórios. Essa classificação é dada para áreas nas quais menos de 1% dos domicílios visitados tem criadouros do mosquito. Aquelas com índice de infestação entre 1% e 3,9% são consideradas locais em situação de alerta. No País, foram 375. Aquelas com porcentuais superiores a 4 são consideradas de alto risco. Entre as cidades paulistas, Jundiaí foi a única cidade que recebeu essa classificação. O índice foi de 4,3.

Trinta foram consideradas em estado de alerta. Outras 330 apresentaram porcentuais inferiores a 1%, um índice satisfatório.

Padilha comemorou a queda no número de pacientes com a forma grave da doença. De janeiro a novembro de 2011 foram 10.507 - ante 3.774 no mesmo período deste ano, o que indica uma redução de 64%.

O ministro atribuiu a queda à melhoria na qualidade e rapidez do atendimento aos pacientes. O número de mortes também caiu 49% no período: de 481 para 247.

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