Dente permite avaliar duração da infância dos neandertais

Pela primeira vez, cientistas tiveram permissão para fatiar dentes de neandertais. Esse feito oferece a melhor evidência, até agora, de que essas criaturas cresciam e amadureciam no mesmo ritmo lento que os seres humanos atuais, tendo até mesmo tempo de desenvolver o cérebro completamente na infância, como ocorre na humanidade.Alguns estudiosos haviam proposto que os neandertais amadureciam mais depressa que os humanos, atingindo a idade fértil mais cedo. Isso teria ajudado a garantir uma população grande o bastante para manter a espécie viva durante o clima frio predominante na Europa de 200.000 a 28.000 anos atrás, mas teria dado menos tempo para o desenvolvimento do cérebro.Como árvores e conchas, dentes crescem em etapas, preservando um registro do crescimento sob a forma de estrias. No caso de dentes molares, as estrias se acumulam diariamente, e linhas escuras revelam o estresse do nascimento. para ver as linhas, porém, é preciso fatiar os dentes - algo que os curadores de museus que guardam dentes de neandertais não se mostravam dispostos a permitir.Agora, uma equipe de pesquisadores franceses e britânicos conseguiu autorização para realizar a investigação. Quando os cientistas fatiaram os molares, encontraram semelhanças importantes entre neandertais e humanos: a linha escura do nascimento emerge quase ao mesmo tempo nas duas espécies, indicando que os dentes dos neandertais se desenvolviam no mesmo ritmo que os humanos, de acordo com trabalho publicado na revista Nature e resumido no website noticioso ScienceNOW. Os pesquisadores também determinaram que a taxa de crescimento da raiz do dente é a mesma dos humanos modernos, com a raiz completa por volta dos 9 anos de idade.

Agencia Estado,

23 de novembro de 2006 | 17h14

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