Denunciante desmente versão de médico em Taubaté-SP

O médico Roosevelt Sá Kalume, denunciante do caso de supostas retiradas de órgãos de pacientes vivos no antigo Hospital Santa Isabel, localizado em Taubaté (SP), em 1986, prestou depoimento perante o juiz do Tribunal do Júri, Marco Antonio Montemor, hoje, no primeiro dia do julgamento do processo que ficou conhecido como "caso Kalume". Ele é o principal denunciante do caso.

JOÃO CARLOS DE FARIA, Agência Estado

17 de outubro de 2011 | 19h58

Seu depoimento teve início às 14h45 e durou cerca de duas horas, transformando-se ao final num debate sobre o conceito de morte encefálica. "Dentro da minha concepção eu não vi morte encefálica em nenhum dos casos apresentados. Se eu morrer, só quero ser enterrado quando meu coração parar", disse o médico, que na época era diretor do departamento de medicina da Universidade de Taubaté.

Kalume disse que os órgãos que eram retirados dos pacientes eram levados para São Paulo pela Polícia Rodoviária Federal, conforme lhe foi informado pelo médico Antônio Aurélio de Carvalho Monteiro, que faleceu em maio deste ano. Ele e os demais médicos Pedro Henrique Torrecillas e Rui Noronha Sacramento, com a participação do médico Mariano Fiore Júnior, figuram como réus no processo. Todos eles sustentam que são inocentes e que a denúncia é mentirosa.

A enfermeira Rita Maria Pereira, cujo depoimento antecedeu o de Kalume, confirmou ter presenciado a retirada dos rins do paciente José Carneiro, que foram colocados numa caixa. Segundo ela, logo depois desse procedimento, o médico Pedro Henrique Torrecillas teria usado um bisturi para cortar o peito de Carneiro, quando o paciente se debatia na tentativa de levantar da maca.

"O doutor Torrecillas pegou um bisturi e enfiou no peito do paciente e disse: ''Viu? É assim que se faz", afirmou a enfermeira. Carneiro teria parado de se bater e a enfermeira aconselhada por outro médico a não comentar com ninguém os fatos que havia presenciado. Outras cinco testemunhas de acusação foram ouvidas até às 18h20 de hoje, quando a previsão de interrupção do julgamento - que deve durar entre três e quatro dias - era para as 19 horas, horário que, segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Justiça, deveria se estender um pouco mais.

Uma das depoentes, a médica Gilzélia Fernandes Batista, que na época do caso Kalume era responsável pelo departamento que armazenava os prontuários do hospital onde faleceram as pessoas citadas no processo, disse que não houve sumiço de documentos. Ela foi a primeira a ser ouvida. "Também não tenho conhecimento de alterações nos prontuários", disse. Ela explicou que, por causa da repercussão do caso, guardou os prontuários em um cofre de materiais radioativos, no subsolo do hospital, onde funcionava o serviço de radioterapia.

Mais conteúdo sobre:
saúdejulgamentoórgãos

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.