Depoimento de Bruno será realizado na quarta

Depois de dois dias, o momento mais esperado do julgamento do goleiro Bruno Fernandes vai ocorrer na quarta-feira (6). O próprio goleiro será interrogado pelo Ministério Público Estadual (MPE) e pelos advogados de defesa de todos os acusados de envolvimento no sequestro, cárcere privado e assassinato da ex-amante do jogador, Eliza Samudio, de 24 anos, e do bebê que a vítima teve com o atleta.

MARCELO PORTELA E ALINE RESKALLA, Agência Estado

05 de março de 2013 | 19h22

Teve início no início da noite desta terça-feira o depoimento da ex-mulher de Bruno, Dayanne Rodrigues, que ainda estava em andamento nesta terça. O goleiro foi retirado do plenário por ordem da juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues para a oitiva de Dayanne.

Bruno é acusado de ser o mandante do sequestro, cárcere privado e assassinato de Eliza, enquanto Dayanne é processada pelo sequestro e cárcere privado do bebê. Desde o início do julgamento, na segunda-feira (4), circulam rumores no Fórum Doutor Pedro Aleixo, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, de que o goleiro poderá confessar sua participação no crime. Mas a reportagem apurou que a defesa, apesar de assumir a morte da jovem, deve negar qualquer envolvimento do jogador com o crime. A estratégia seria atribuir o sequestro e o assassinato ao ex-braço direito do atleta, Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão.

Em novembro passado, Macarrão foi condenado a 15 anos de prisão, sendo 12 em regime fechado, depois de assumir que participou da morte de Eliza, mas alegou que o goleiro foi o mandante do crime. "Dissemos para ele (Bruno) contar o que sabe. Dissemos que a máscara já caiu. Ele não é mais goleiro do Flamengo. É um cidadão comum, um preso, um réu", declarou o advogado Tiago Lenoir, um dos defensores do jogador. Mas ele ressaltou que isso não significa que o acusado vá assumir que cometeu o crime. "Se ele confessar, a confissão vai surpreender até os advogados", avaliou.

Questionado sobre a possibilidade de o goleiro atribuir o crime a Macarrão, o advogado preferiu manter silêncio e disse apenas que, entre a palavra do goleiro e do ex-amigo, a do jogador teria "muito mais peso". "A confissão do Macarrão é completamente distinta das provas no processo", avaliou.

Depoimentos

Nesta terça, foi realizado o depoimento da segunda das duas testemunhas que o promotor Henry Wagner Vasconcelos, responsável pela acusação, quis ouvir em plenário. João Batista Alves Guimarães apenas confirmou que acompanhou a oitiva de Cleiton da Silva Gonçalves, outra testemunha do caso, à polícia. O promotor dispensou as demais testemunhas que havia arrolado.

Além de Guimarães, também foi realizado o depoimento de Célia Aparecida Rosa Sales, prima de Bruno. Vasconcelos ainda ressaltou que ela tem "relação de irmã" com o goleiro e a mulher foi ouvida na condição de informante, o que significa que ela não tem compromisso com a verdade como as testemunhas. Ela confirmou que teve que cuidar do filho de Eliza com Bruno, função que também coube a Dayanne após a mãe bebê ser levada do sítio do goleiro em Esmeraldas, também na região metropolitana da capital mineira, e não retornar mais.

De acordo com Célia, Eliza foi levada por Macarrão e por Jorge Luiz Lisboa Rosa, primo do jogador que tinha 17 anos à época. A informante disse que Eliza acreditou estar sendo levada para um apartamento que Bruno teria oferecido para ela morar com o filho do casal e que chegou a convidar pessoas que estavam no sítio para visitá-la. Porém, o promotor Henry Vasconcelos apontou uma série de contradições entre as declarações de Célia à polícia, na época das investigações, e as prestadas à Justiça.

Lágrimas

Durante o depoimento de sua prima, Bruno se manteve de cabeça baixa. Aparentando cansaço, ele passou o tempo todo apoiando os braços nas pernas e escondendo o rosto. Dayanne se mostrava bastante atenta, sempre de cabeça erguida. Quando seu interrogatório terminou, após mais de três horas, Célia não conseguiu conter as lágrimas e chorou copiosamente, mostrando-se bastante abalada com a pressão feita pelos advogados de acusação. Ela deixou o fórum rapidamente e evitou os jornalistas.

Durante a exibição de vídeos com reportagens sobre o desaparecimento de Eliza, feita a pedido da promotoria, o goleiro voltou a chorar e foi amparado por seu advogado, Lúcio Adolfo. O primeiro vídeo mostrou a amante de Bruno denunciando a uma TV ter apanhado do goleiro e ter sido obrigada por ele a tomar abortivos quando estava grávida de Bruninho.

Naquele momento, a mãe da modelo se emocionou e passou mal, deixando a sala do júri. Também foram exibidas entrevistas do tio de Jorge Luiz - que relatou como Eliza teria sido assassinada, no início das investigações, além da reconstituição dos últimos passos dela no sítio do goleiro, em Esmeraldas, e de depoimentos de Macarrão na prisão e em seu julgamento. A promotoria mostrou ainda entrevistas do goleiro nas quais ele mentia ao dizer que não sabia do paradeiro de Eliza. Enquanto Bruno parecia estar bastante emocionado, Dayanne permaneceu impassível.

A atual mulher do goleiro, a dentista Ingrid Guimarães, passou o dia na sala do júri assistindo aos depoimentos. Ela contou que se encontrou rapidamente com o ex-goleiro do Flamengo em uma sala reservada, durante o intervalo para almoço. "Não tive autorização para conversar com ele, apenas para abraça-lo".

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