Depois das ondas, surfista se dedica à causa do acesso a água

Acostumado a viajar em busca de ondas, o surfista americano Jon Rose viu também muita gente adoecendo em razão da falta de saneamento básico e água tratada.

Andrea Vialli, O Estado de S.Paulo

12 Junho 2011 | 00h00

Em 2009, após 13 anos de carreira, deu um tempo com as competições e, em busca de uma guinada, Rose fundou a organização Waves for Water, com o objetivo de levar água tratada a comunidades pobres e regiões que sofreram com terremotos e outras catástrofes.

A organização promove expedições a lugares afetados e já ajudou pessoas no Haiti, Paquistão, Indonésia, Índia, Japão e Chile.

O carro-chefe da atuação da Waves for Water é um filtro portátil de cerâmica que elimina bactérias e protozoários da água. O sistema, de fácil instalação e baixo custo - cerca de R$ 80 - , precisa apenas de um balde com um orifício para ser utilizado e cada purificador é capaz de tratar mil litros de água por dia.

Após ser adotado no Chile e no Haiti em 2010, logo depois dos terremotos nesses países, o projeto chegou ao Brasil no início deste ano - a ONG distribuiu 200 filtros no Rio de Janeiro, após a tragédia causada pelas chuvas na região serrana.

Agora, outros 200 filtros de água foram doados para 13 comunidades ribeirinhas da Amazônia, durante expedição realizada no mês de maio que contou com o patrocínio de empresas como Ambev, Nextel e a agência de publicidade Loducca.

"Conheci a realidade das comunidades ribeirinhas da Amazônia quando surfei na região, na pororoca", contou Rose. "É incrível que em uma região tão rica em água doce ainda exista tanta gente sem acesso a água tratada", diz.

A constatação de Rose é corroborada por dados. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da população da Amazônia, 54% não têm acesso a água potável, mesmo habitando uma região detentora de 70% da água disponível para uso no Brasil.

"É uma grande oportunidade desenvolver projetos na Amazônia. Sei que é possível alcançar ótimos resultados", diz Rose. Acostumado a buscar patrocínio para as competições, ele diz que prefere trabalhar com o setor privado em vez de recorrer aos governos. "Quando há políticos envolvidos, há também muita burocracia. Tudo o que queremos é fazer nosso trabalho", diz o surfista ativista.

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