Depois de escoamento, rua inundada tem lixo e lama

Prefeitura conclui retirada da água em uma das vias do Jardim Romano mais atingidas pela enchente; moradores cadastrados em programa habitacional começam a ser transferidos

Renato Machado, O Estadao de S.Paulo

22 Dezembro 2009 | 00h00

Após duas semanas de inundações na zona leste de São Paulo, as equipes do governo do Estado e da Prefeitura concluíram no fim da tarde de ontem o escoamento da água que estava represada na Rua Capachós, no Jardim Romano. A via foi uma das mais atingidas pelas enchentes do início do mês e permaneceu encoberta, com água atingindo o nível das janelas de automóveis. No lugar da água, resta muita lama e todo o tipo de lixo - o dia foi de limpeza e de contar prejuízos.

Ontem, as equipes continuaram utilizando caminhões sugadores (conhecidos como "chupão") para absorver a água represada. Nesse trabalho, parte da sujeira acabou caindo no Rio Tietê, que fica ao lado. Nas ruas ficaram caixas, alimentos, tênis, botas, garrafas, madeira e muito lodo e restos do esgoto.

"Não começamos hoje a limpar as ruas porque já estava tarde e ainda há carros nas vias, portanto não seria possível passar com os tratores. Mas já usamos jatos de água para tentar desobstruir as galerias pluviais e vamos concluir o trabalho amanhã para irmos para outro ponto", diz o subprefeito de São Miguel Paulista, Milton Persoli.

Muitos moradores passaram o dia ontem com vassouras e rodos, removendo o lodo das casas. Nas portas, foram colocados armários, geladeiras e outros bens que a água da enchente estragou. Também ontem os donos dos três carros que estavam estacionados na Rua Capachós, e por isso ficaram embaixo d"água, começaram a mensurar os prejuízos.

"Só agora estou conseguindo ver por completo meus dois carros", diz João Paulo Dutra, de 53 anos. Para complementar a renda obtida com sua bonbonnière, ele compra e revende automóveis. No momento, estava com quatro. "Devo ter uns R$ 10 mil de prejuízo com os dois que estavam na rua. Queria abrir para ver como estão só depois do Natal, para não estragar as comemorações. Mas é melhor ir lá antes."

A cerca de dez metros, um outro dono de uma bonbonnière, Antônio Carlos do Nascimento, de 49 anos, deixava aberto o seu Passat ano 1979 para tentar secar os bancos e o motor. "Fazia duas semanas que eu aparecia na porta (do comércio) e via ele com água até a altura dos vidros." Há dois anos, Nascimento pagou R$ 2 mil no carro. "Espero que o conserto saia por menos ou vou ter de jogar fora e juntar dinheiro para comprar outro."

Além da limpeza das ruas, a Subprefeitura de São Miguel programou para hoje uma operação cata-bagulho para retirar o material que foi colocado pelos moradores nas portas das casas. Também será feita uma limpeza nos bueiros e nas galerias pluviais, uma vez que muitas estavam obstruídas.

As equipes tentam buscar formas de isolar algumas vias, para que, em caso de novas chuvas fortes, seja possível utilizar bombas e caminhões sugadores para remover a água. "A partir de janeiro, vamos nos reunir e estudar outras medidas para que as chuvas não provoquem alagamentos como esse", diz o subprefeito.

MUDANÇA

O escoamento da água também possibilitou que os caminhões de mudança de pessoas cadastradas no programa habitacional para as obras do Parque Linear Várzea do Tietê entrassem no bairro. Segundo a Prefeitura, entre sábado e ontem, 28 famílias se mudaram para o prédio residencial da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) de Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo.

"Vou aproveitar para mudar hoje para não me incomodar tanto no Natal", diz a operadora de telemarketing Luciana Santos, de 23 anos, que foi com o marido e três filhos. "Nem cheguei a ver onde vou morar. As visitas foram na sexta e no sábado e eu estava trabalhando. Meu marido viu. Só sei que é longe de tudo e não tem escolas perto." Ontem, 95 famílias do Jardim Romano foram cadastradas, totalizando 567.

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