Depois de Gaijin e Xuxa, Tizuka filma a vida da pajé Zeneida

Filme aguarda verba de finalização e é inspirado nos feitos de uma líder indígena com poderes de dominar a natureza

Adriana Del Ré, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estadao de S.Paulo

03 Dezembro 2009 | 00h00

A cineasta Tizuka Yamasaki está às voltas com o novo filme de Xuxa Meneghel, O Fantástico Mistério de Feiurinha, com lançamento previsto para o dia 25, dia de Natal. Isso, no entanto, não a faz perder de vista seu projeto mais autoral, o longa-metragem Amazônia Caruana, estrelado pelos atores Carolina Oliveira, Dira Paes, Letícia Sabatella, Anderson Muller, Laura Cardoso, Ângelo Antônio e Thiago Martins (por coincidência, todos do elenco da novela Caminho das Índias, de Glória Perez), mais José Mayer e Cássia Kiss. Com o filme já rodado, a cineasta está dando os últimos tratamentos de edição e busca patrocínio para sua finalização e comercialização.

Segundo o produtor Cacá Diniz, até agora foram investidos R$ 6.550 milhões (tendo o Banco Bradesco como patrocinador master), mas ainda são necessários R$ 4 milhões - sendo R$ 2,5 milhões desse valor para finalizar o filme e o restante para sua comercialização. "Ainda podemos captar esse valor via leis de incentivo. Está autorizado pela Ancine e em processo de análise por cerca de 50 empresas", afirma Diniz.

A produção é inspirada na vida da pajé Zeneida Lima, nascida na Ilha de Marajó, no Pará, e com poder de convocar as energias naturais, conhecidas como caruanas. Transportada para a tela, a trama é norteada pela história de amor entre a então jovem Zeneida - cujos poderes são incompreendidos e até rejeitados pela família - e uma entidade da floresta, Antônio, interpretado por Thiago Martins. No desenrolar desse amor inocente que nasce entre os dois, Tizuka aproveita para tratar, sutilmente, de questões ligadas à preservação da natureza e à cultura e crenças locais.

O alerta ao desmatamento da Amazônia está lá, mas, segundo a cineasta, sem a pretensão de ser um discurso panfletário em defesa da nossa floresta. "Tenho vontade de que o filme seja visto lá fora. É um lado do Brasil desconhecido", observa a cineasta. "Não conhecemos os espíritos dessas florestas. E se desconhecemos esse mundo misterioso, não tem como defender esse lugar."

Num primeiro momento, o argumento escolhido por Tizuka para seu novo projeto causou certo estranhamento, mas ela lembra que com o primeiro filme, Gaijin - Os Caminhos da Liberdade, com Antônio Fagundes, não foi diferente. "Quando fiz Gaijin, que tinha um tema árido, me chamaram de cabeça dura, mas não ouvi, o que foi bom."

Com boa parte da produção rodada no Rio, por causa da agenda dos atores, e algumas cenas em solo paraense, Amazônia Caruana ainda não tem data certa para estrear. Tudo dependerá do avanço dessa fase de pós-produção. "Estou bastante otimista", conclui Tizuka.

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