Derrubada volta a crescer na Amazônia

O Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) da ONG Imazon, que faz um monitoramento independente do desmatamento na Amazônia, revelou um aumento de 72% no corte de floresta em maio deste ano, em relação ao detectado em maio do ano passado. No total, o mês passado teve 165 quilômetros quadrados desmatados - área pouco maior que a do município de Praia Grande, no litoral paulista.

Afra Balazina,

18 Junho 2011 | 00h33

A destruição de floresta amazônica acumulada no período de agosto de 2010 a maio de 2011 (os dez primeiros meses do ano fiscal de desmatamento) foi de 1.435 quilômetros - quase o tamanho da cidade de São Paulo. Em relação ao período anterior, houve um crescimento de 24% no desmatamento. Mato Grosso está na frente no ranking, com 39%, seguido pelo Pará (24%) e por Rondônia (22%).

O sistema de alerta do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Deter, também mostrou alta de 27% no desmatamento entre agosto e abril deste ano, em relação ao ano passado.

Para Adalberto Veríssimo, pesquisador do Imazon, os dados revelam que dificilmente será possível reverter a tendência de alta de corte da floresta até julho (quando se encerra o ano fiscal do desmatamento). "A tendência é de que neste ano tenhamos um desmatamento maior que no ano passado. É preocupante, porque o País vinha sucessivamente tendo quedas."

Um dos motivos, em sua opinião, é a aprovação na Câmara da reforma do Código Florestal, que prevê anistia para quem desmatou até 2008. "Chegam às pessoas sinais de que o governo vai anistiar novamente daqui alguns anos." Outra preocupação é a construção de usinas hidrelétricas na Amazônia. Os municípios que mais desmataram, Altamira e Porto Velho, coincidem com as áreas dessas obras. "Altamira é enorme, tem quase o tamanho do Estado do Paraná, mas notamos que o desmate ocorreu na área de influência da usina de Belo Monte", afirmou.

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