Desabrigados por tremor em MG ainda vivem em creches

Após dois meses de um tremor de terra atingir Itacarambi, no norte de Minas Gerais, 27 das 76 famílias que foram obrigadas a abandonar a comunidade rural de Caraíbas continuam vivendo em creches da cidade. O abalo de 4,9 pontos na escala Richter foi o primeiro na história do Brasil a matar uma pessoa - uma criança de 5 anos - e causar danos materiais significativos. O terremoto, registrado nos primeiros minutos da madrugada de 9 de dezembro, destruiu pelo menos seis casas e levou à remoção de todas as famílias que viviam na localidade.Conforme a prefeitura, quase todas as residências - a maioria construções precárias - ficaram comprometidas e foram demolidas. "Não tem mais ninguém lá", afirmou hoje a secretária de Administração da prefeitura, Lenira Maria Benícia. A demolição foi recomendada pelo governo de Minas Gerais para evitar a possibilidade de reocupação irregular do povoado. Moradores do município e da comunidade de Vargem Grande afirmam que pequenos sismos continuam sendo sentidos na região de Caraíbas - distante 35 quilômetros do centro de Itacarambi. "Tem ocorrido sempre lá, onde é o epicentro, mas não é nada grave", observou Benícia.Após o abalo sísmico, o Observatório de Sismologia da Universidade de Brasília (UnB) decidiu instalar uma estação sismográfica permanente na região. A magnitude do abalo surpreendeu os pesquisadores, que, na época, admitiram a existência de uma falha geológica maior do que imaginavam.Das 76 famílias, 27 permaneciam abrigadas nas Creches Najla Nemer e Ubaldina Andrade, segundo a secretária de Administração da prefeitura de Itacarambi. O restante dos desabrigados deslocou-se para moradias de amigos ou parentes. Numa área na periferia da cidade cedida pela administração municipal, são construídas novas residências, doadas pelo governo de Minas. As obras foram iniciadas no dia 21 e a previsão é que sejam concluídas em, no máximo, 120 dias. Um grupo de 14 desabrigados foi contratado para trabalhar nas obras. "Mas está mais rápido do que tínhamos previsto e, em 15 dias, as primeiras casas estarão prontas", disse o presidente da Companhia de Habitação do Estado de Minas Gerais (Cohab-MG), Teodoro Alves Lamounier.

EDUARDO KATTAH, Agencia Estado

13 de fevereiro de 2008 | 17h08

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