Desaparecidos do regime permeiam cinema regional

É um tema que volta e meia assombra o cinema latino-americano. A Argentina talvez tenha produzido os filmes mais fortes, ou os que obtiveram maior ressonância internacional - A História Oficial , de Luís Puenzo; Garagem Olimpo, de Marco Bechis. Mas o Brasil deu sua contribuição. Além dos vários filmes sobre porões da ditadura militar, em que aflorava o tema dos desaparecidos, houve Operação Condor, o documentário de Roberto Mader sobre a aliança entre os governos militares do Cone Sul para caçar guerrilheiros no Uruguai, Chile, Argentina e Brasil. Dessa sinistra operação resultou o desaparecimento de milhares de pessoas.

Luiz Carlos Merten, O Estadao de S.Paulo

20 de novembro de 2009 | 00h00

Operação Condor engloba o "sequestro dos uruguaios", como ficou conhecido o caso de Universindo Diaz e Lilian Celiberti. Mas o filme também trata dos Larrabeiti, que presenciaram a morte dos pais biológicos no Uruguai e foram adotados por uma família chilena. E da uruguaia Sara Mendes, presa e torturada na Argentina, que encontra seu filho após 25 anos de busca. A organização Mães da Praça de Maio foi fundamental no rastreamento das crianças que os militares argentinos separaram dos pais biológicos.

É o tema de A História Oficial. Norma Aleandro descobre que a filha adotiva foi dada a seu marido por ser cúmplice dos militares. Por mais que a ame, ela se sacrifica para devolver a criança à avó que nunca deixou de procurá-la. A família desintegra-se, o marido a agride, mas a razão de consciência fala mais alto. Em Garagem Olimpo, presos são torturados e saem dali para voos sem volta - os corpos são lançados ao mar. Esse cinema de testemunho mantém vivo o horror da herança anti-humanitária que muitos, você sabe quem, prefeririam esquecer.

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