GazetaWeb-18/4/2011
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Descaso com ensino em AL causa evasão escolar

Escolas perderam 10 mil alunos entre 2009 e 2010; docentes fazem greve para protestar [br]contra falta de estrutura

Ricardo Rodrigues / Maceió, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2011 | 00h00

Para denunciar o que chamam de sucateamento do ensino público e protestar contra o reajuste salarial anunciado de 5,91%, os servidores da educação de Alagoas entraram em greve. As escolas municipais de Maceió também estão sem aula há mais de uma semana.

Segundo dados da Secretaria Estadual da Educação e do Esporte, foram matriculados nas escolas públicas de Alagoas, em 2010, 245 mil alunos - cerca de 10 mil a menos que no ano anterior. Para o secretário Rogério Teófilo, a evasão escolar ainda é pequena e vem sendo combatida com o projeto Geração Saber, que conta com recursos federais.

Mas, além da fuga de alunos, as escolas sofrem com a falta de professores e problemas estruturais. O caos na educação pública transformou Alagoas em líder no ranking de analfabetismo.

Para a presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Educação, Célia Capistrano, a situação é fruto do descaso do governo. "A maioria das escolas funciona de forma precária. Há falta de professores e de condições de trabalho, além de violência."

Advertência. Na última segunda-feira, os servidores da educação anunciaram greve de advertência com duração prevista de 72 horas. Mas, a pedido da direção, funcionários da Escola Estadual Monsenhor Benício de Barros Dantas, no bairro do Poço, em Maceió, não paralisaram as atividades.

"Optamos por não aderir à greve para não atrapalhar as matrículas, já que a escola corre o risco de fechar se não tiver alunos suficientes. Vamos encontrar outra forma de protestar contra esse reajuste ridículo de 5,91%", disse o diretor Carlos Muller.

Por falta de alunos, os turnos vespertino e noturno estão ameaçados de fechar. A escola ocupa um quarteirão inteiro, tem 15 salas de aula e capacidade para mais de 1.800 alunos - mas atualmente conta apenas com 600 matriculados. A evasão obrigou o colégio a ceder parte do terreno para outra unidade de ensino: a escola de educação especial Wandete Gomes de Castro.

Para atrair os estudantes da redondeza, os professores se uniram e bancaram do próprio bolso a pintura e a iluminação da fachada escolar.

Fretado. Outras instituições do Estado enfrentam problemas semelhantes. Algumas não resistiram. Outras só estão funcionando porque recebem alunos de bairros distantes, que chegam em ônibus fretados pela Secretaria Estadual de Educação.

O grupo de prédios do Centro de Pesquisas Aplicadas (Cepa) - onde funcionava na década de 1970 o maior complexo educacional da América Latina, com mais de 20 mil estudantes - está hoje subutilizado.

Se não fossem os alunos da periferia trazidos pelos fretados, o Cepa já teria fechado. A clientela do bairro do Farol, onde o complexo está situado, não frequenta mais a escola pública.

O governador Teotônio Vilela (PSDB) reconhece os problemas da educação, mas afirma acreditar na recuperação do ensino público. Para ele, o projeto Geração Saber é a ferramenta certa para mudar o quadro. Na última quarta-feira, Vilela anunciou a aplicação do piso nacional dos professores e destacou que Alagoas foi um dos primeiros Estados a adotar o novo valor. "Fizemos o dever de casa, ajustamos as contas, reafirmando nosso compromisso com a educação."

Segundo o secretário de Educação, Rogério Teófilo, a pasta vai concluir nos próximos dias a avaliação da pauta de reivindicações apresentada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Alagoas (Sinteal).

Sem liberdade

DOUGLAS APRATTO

HISTORIADOR ALAGOANO

"A falência do ensino público compromete a democracia, a cidadania e os diretos humanos. Um povo sem educação de qualidade é refém de maus governantes."

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