Descoberta latrina dos autores dos Manuscritos do Mar Morto

Uma antiga seita judaica, à qual é atribuída a autoria dos Manuscritos do Mar Morto, seguia regras religiosas tão rígidas para defecar que seus membros acabaram cheios de parasitas, de acordo com pesquisadores que desenterraram a latrina dos essênios. O trabalho é comentado no serviço noticioso online news@nature. A descoberta da latrina, argumentam os responsáveis pela pesquisa, poderá oferecer a ligação definitiva entre a seita dos essênios e os manuscritos, os mais antigos textos bíblicos já encontrados. Os manuscritos descrevem regras rígidas sobre a defecação: ela teria de ser feita fora da visão dos demais membros do grupo, às vezes até a 1,4 km de distância, a noroeste. Depois disso, o essênio era obrigado a enterrar as fezes e a tomar um banho ritualístico. Na região de Qumran, onde, acredita-se, viviam os essênios e perto de onde os manuscritos foram encontrados, essas instruções levariam o homem até um local reservado, atrás de um morro baixo. Segundo o arqueólogo Joe Zias, da Universidade Hebraica de Jerusalém, o lugar mostra os sinais de uma latrina - e uma usada por pessoas não muito saudáveis. Entre os parasitas intestinais encontrados no local, havia ovos de lombriga e tênia.Mas não foram os vermes reunidos na latrina o que realmente prejudicou a saúde dos essênios, e sim os acumulados na área do banho ritual: a única piscina próxima era um lago de águas estagnadas, onde os essênios se lavavam continuamente.O saneamento na época era bom, e só uma forte devoção religiosa levaria alguém a se afastar tanto da cidade para defecar, diz o arqueólogo, citando o fato como evidência da presença de essênios no local.

Agencia Estado,

13 de novembro de 2006 | 18h15

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